Desinformação e medo afastam idosos de lotação

A maioria dos idosos que dependem de ônibus na cidade não usa as peruas de lotação porque têm de pagar passagem ou por desconhecer o direito ao benefício da gratuidade no meio de transporte. Por decisão da 4.ª Vara da Fazenda Pública, a Prefeitura de São Paulo vai ter de tomar medidas para garantir o transporte gratuito para as pessoas com mais de 60 anos. "Mesmo sabendo disso (do direito), acho que vou continuar com o ônibus", afirma a dona de casa Lurdes Viana, de 66 anos, antes de embarcar no Terminal Santana, na zona norte. Lurdes diz que prefere o ônibus porque é gratuito e não quer "arrumar encrenca" com os perueiros. "É justo, senão os ônibus só vão levar idosos." A mesma atitude tem a aposentada Nivalda Figueiredo Belin, de 64 anos, que vê poucos idosos quando pega lotação. Ela acredita que a Prefeitura deva fiscalizar o cumprimento da determinação pelos perueiros. "Eu não peço para descer sem pagar. É uma humilhação e eu não tenho coragem", afirma. Segundo a demonstradora Ana Lúcia Roque, de 24 anos, nem todos os motoristas concordam em levar os idosos gratuitamente. Ela conta que uma vez presenciou uma discussão entre o perueiro e uma mulher idosa que não queria pagar. "Aqui não dá. É meu dinheiro para sobreviver", teria dito o motorista, que depois permitiu que a mulher descesse. "Eles devem preferir o ônibus porque é mais cômodo", resume Ana Lúcia. Sem lugarAlém de cobrar a passagem de mulheres com mais de 60 anos e de homens acima de 65, os perueiros não reservam lugares exclusivos para esses passageiros, como manda a decisão. "Tem muita gente que não pode ficar de pé", diz a aposentada Maria Macharelli, de 67 anos, que não pega lotação por considerar o tranporte inseguro. "Só sabia do ônibus e do metrô. Não sabia que a perua também tinha", afirma, referindo-se ao transporte gratuito. "Vivo de aposentadoria. Sabe como é", comenta Lolita Borowski, de 68 anos, que pegava uma perua para a Vila Nilo sem saber do direito a viajar gratuitamente. "Ouvi falar que tinha de ter 75 anos. Por isso, sempre paguei", explica. A São Paulo Transporte (SPTrans) teria até terça-feira para recorrer da decisão judicial, mas a contagem dos dias foi suspensa porque o Judiciário está em greve. O Departamento Jurídico da empresa ainda analisa a decisão judicial.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.