Desistências continuam em diversos Estados

Abandonos e faltas têm sido recorrentes e já atingem pelo menos 15 dos 22 municípios do Estado de São Paulo que receberiam médicos

03 Setembro 2013 | 23h15

Dos seis profissionais do Mais Médicos que já deveriam estar trabalhando em Mesquita, município de 170 mil habitantes da Baixada Fluminense, apenas um cumpre suas funções.

"Uma ginecologista e um psiquiatra chegaram e falaram que só tinham um dia livre, porque nos outros já estão ocupados. É muita falta de comprometimento ou de entendimento do que é o programa. Por que se inscreveram? Não leram o edital?", lamentava ontem Gláucia Araujo Almeida, coordenadora de atenção básica e vigilância em saúde do município.

Os cinco médicos integrariam equipes do Programa de Saúde da Família que atendem bairros de Mesquita. A cidade tem dificuldade para a contratação porque não dispõe de recursos para oferecer bons salários (a média é de R$ 5 mil).

O Mais Médicos também enfrenta problemas na capital. Segundo a secretaria de Saúde do Rio, dos 16 profissionais que confirmaram participação, dez ainda não haviam dado qualquer notícia até terça-feira.

No Recife, dos 12 profissionais selecionados, apenas quatro iniciaram as atividades nesta terça. Dois pediram o desligamento, outro pediu licença médica e outros seis ainda não se apresentaram à Secretaria Municipal de Saúde. "Vamos aguardar o prazo até o dia 12 para encaminhar um novo pedido ao Ministério da Saúde", disse o secretário de Educação na Saúde do Recife, Fernando Gusmão.

Pelo menos três cidades de Santa Catarina tiveram desistências de profissionais: Guaraciba, Itaiópolis e Santo Amaro da Imperatriz. Nesta primeira etapa, 16 cidades catarinenses deveriam receber 24 médicos brasileiros. Em Florianópolis, nenhum dos seis médicos previstos se apresentou.

No Paraná, onde foram inscritos 35 médicos em 24 municípios, dois desistiram de trabalhar em Londrina. Já em Sarandi, apenas uma médica de quatro previstas compareceu ao trabalho.

 

Vereador. Na Bahia, inscrito para trabalhar em Vitória da Conquista, o vereador Roland Lavigne (PPS), de Ilhéus, a 270 km de distância, chegou a ser apresentado como um dos novos médicos. Mas o anúncio, feito pelo prefeito Guilherme Menezes (PT), repercutiu no Estado e, horas depois, Lavigne desistiu de sua vaga.

Nesta terça-feira, outras três cidades paulistas registraram desistências: Hortolândia, Americana e Bertioga. Os médicos alegaram motivos pessoais. Abandonos e faltas têm sido recorrentes e já atingem pelo menos 15 dos 22 municípios do Estado que receberiam médicos. / MONICA BERNARDES, TIAGO DÉCIMO, ADRIANA FERRAZ, BRUNO DEIRO, ROBERTA PENNAFORT, TOMAS PETERSEN e JULIO CESAR LIMA

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