Deslizamento de terra em obra mata operário e fere outros 2

Eles trabalhavam em construção de centro cultural no Capão Redondo

Fernanda Aranda e Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

24 de junho de 2009 | 00h00

Uma pessoa morreu e outras duas ficaram feridas após deslizamento de terra na obra da unidade Capão Redondo da Fábricas de Cultura - projeto do Estado de inclusão social de jovens por meio da arte. O acidente aconteceu por volta das 16h30 de ontem, na altura do número 80 da Rua Algard, Jardim Comercial, quando operários erguiam um muro de contenção. A área com 10 toneladas cedeu e soterrou três trabalhadores.Os bombeiros chegaram em 30 minutos e focaram os trabalhos no resgate de Antônio Carvalho e Edílson Ferreira. Soterrados até a cintura, eles gritavam por socorro e diziam que o companheiro Daniel da Silva estava sob os escombros. Logo no início, as equipes constataram a morte de Silva. Os bombeiros escavaram com as mãos ao redor da cintura de Carvalho e Ferreira por 50 minutos. Eles foram levados ao Pronto-Socorro de Itapecerica da Serra. "Os dois estavam conscientes. Sentiam dor e perguntavam sobre o colega", contou o capitão Carlos Roberto Rodrigues, do 4º Grupamento de Bombeiros, chefe da operação. Após o resgate dos sobreviventes, começou a etapa mais difícil do resgate. O montante de 7 metros de terra ameaçava desabar sobre as equipes. O corpo de Silva foi retirado às 19h40. Ele trabalhava havia dez dias no local. Segundo colegas, ele morava em Francisco Morato e tinha dois filhos. "Foi muito rápido. Nós tentamos salvar ele, mas não conseguimos", disse o operário Roznildo de Lima, de 28 anos. No local trabalhavam 28 pessoas. Na noite de ontem, técnicos da Defesa Civil começaram a apurar as causas do acidente. Uma das suspeitas é que a água do esgoto teria umedecido o barranco. "Mas ainda é prematuro apontar qualquer motivo", disse o capitão do Corpo de Bombeiros Édson Leone.A obra começou em junho de 2008, com previsão de entrega em fevereiro de 2010. O terreno pertence à Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano, mas foi cedido à Secretaria da Cultura para a construção de um prédio de nove andares. O deslizamento ocorreu em área afastada do edifício. Em nota, a secretaria informou que "determinou a suspensão da obra para investigar as causas do acidente".

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