Deslizamento mata bebê e fere dois em Salvador

Por causa da chuva que castiga a cidade, foi decretado estado de emergência; em Manaus, nível do Rio Negro sobe 5 cm por dia

Tiago Décimo e Liège Albuquerque, O Estadao de S.Paulo

23 de abril de 2009 | 00h00

As fortes chuvas que atingem Salvador desde sábado fizeram sua primeira vítima e o prefeito João Henrique Carneiro (PMDB) decretou situação de emergência. Um bebê de um mês e 11 dias morreu e duas pessoas, entre elas a mãe da criança, ficaram feridas depois que a casa na qual moravam, no bairro da Gamboa de Baixo, foi atingida por um deslizamento de terra, na noite de anteontem. Os três foram encaminhados para o Hospital Geral do Estado (HGE), mas a menina, Mirela Carine Conceição dos Santos, teve a morte confirmada ontem. A mãe, Carla da Conceição, de 30 anos, recebeu alta. Seu companheiro, Wellington Santos, de 26, continua internado. Além deles, uma mulher de 92 anos foi atingida na cabeça por um galho quando passava na frente do Hospital das Clínicas, no bairro do Canela, ontem. Foi encaminhada ao HGE com traumatismo craniano. Seu estado de saúde é grave. Nos últimos cinco dias, a chuva na capital baiana foi maior do que a esperada para todo o mês, segundo a Defesa Civil de Salvador (Codesal). A chuva acumulada chegou a 440 milímetros no mês, 370mm desde a sexta-feira, ante os 326mm previstos para abril. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão é que as chuvas continuem até o fim de semana. Foram registrados 16 desabamentos, até a manhã de ontem, entre eles o de um casarão no bairro do Comércio. Somente ontem ocorreram 19 deslizamentos - são 224 no total. De acordo com a Codesal, 30 famílias estão desabrigadas e há 400 áreas de risco de deslizamento. MANAUSO Rio Negro, que banha Manaus, está subindo até 5 centímetros por dia e alcançou ontem 28,46 cm, mais de 23 cm acima do medido no mesmo dia no ano da maior cheia no Amazonas, em 1953. "Essa cheia deve ser a maior dos últimos 50 anos", disse o superintendente do Serviço Geológico do Brasil, Marco Oliveira. A média normal da subida do rio nessa época do ano é de 2 cm por dia. A Defesa Civil de Manaus estima que 3 mil casas sejam atingidas pela cheia na zona urbana, além de outras 200 na zona rural. Até o fim desta semana devem ser removidas 350 famílias de áreas de risco.Os 62 municípios do Amazonas estão há quase um mês em estado de emergência. A Defesa Civil Estadual estima que 34 mil famílias possam ser atingidas pela cheia.

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