Deslizamentos de terra provocam três mortes em São Paulo e Osasco

Duas crianças morrem na zona leste, mulher é soterrada na cidade vizinha e seus 3 filhos estão desaparecidos

Renato Machado e Naiana Oscar, O Estadao de S.Paulo

09 de setembro de 2009 | 00h00

Dois deslizamentos de terra deixaram ontem três mortos, em São Paulo e Osasco. Três crianças permaneciam desaparecidas até as 23 horas de ontem na cidade da região metropolitana. Na zona leste da capital, um desmoronamento matou duas crianças na Favela Araucária, região de Itaquera. Os irmãos Jean Carlos Ferreira Filho, de 3 anos, e Jonas Josué da Silva, de 8, estavam jogando videogame em casa, à beira de uma encosta, quando a terra cedeu, destruindo o local e outras duas residências. O resgate dos corpos durou seis horas. Outras quatro pessoas ficaram feridas sem gravidade.

O acidente aconteceu por volta de 11h30. Por causa da chuva forte da manhã, a terra cedeu e foi levando as residências em um efeito cascata. Na base, estava a casa dos garotos. Os dois estavam sozinhos, pois a mãe, Nedis Terezinha Ferreira, havia ido buscar um outro filho, de 5 anos, que chegava no transporte escolar. Ela ficou fora menos de cinco minutos.

"Foi questão de segundos. Escutamos um estrondo e de repente vimos tudo vindo abaixo. A Nedis ficou descontrolada e perguntava por que não tínhamos conseguido tirar os filhos dela", disse a vizinha Vanessa Silva, de 30 anos. Moradores ainda afirmaram ter escutado choro logo após o acidente. Três viaturas dos bombeiros, duas do Samu e 28 agentes trabalharam na tentativa de resgate das crianças. Foram usados cães farejadores e duas escavadeiras.

As equipes atuaram ao longo de todo o dia removendo terra e os escombros. Às 17h40, o irmão mais novo foi retirado sem vida. O mais velho foi retirado dez minutos depois. Nedis acompanhou os trabalhos. Transtornada e em estado de choque, rezava. Quando os corpos foram resgatados, os familiares disseram para ela que seus filhos estavam vivos. Ela, então, agradeceu a todos os bombeiros e pessoas que ajudaram no resgate. Os corpos foram levados para o Hospital Hermelino Matarazzo.

A vizinha Vanessa conseguiu socorrer uma mulher e sua filha recém-nascida que estavam na casa mais alta da encosta. Maria Aparecida Figueiredo, de 23 anos, estava com a filha na porta de sua casa, quando a terra cedeu. "Conseguimos sair pela parede que caiu. Aí fomos caindo e paramos lá embaixo", disse Maria Aparecida. Uma outra mulher e seu filho de 3 anos tiveram arranhões.

A Subprefeitura de Itaquera afirmou que realizou três operações de desocupação da área para interditar residências em áreas de risco. Pelo menos três famílias teriam sido retiradas nos últimos meses. "Tentamos convencer a mãe dos meninos a ir para um abrigo, mas ela não quis atender os agentes", diz o subprefeito, Laerte de Lima Teixeira.

A Defesa Civil iria interditar outras sete residências na noite de ontem. O subprefeito afirmou que a notificação e interdição das residências em risco são o procedimento padrão nesses casos. No entanto, diz que agora pode recorrer à ação policial para remover as famílias. Segundo os bombeiros, parte da área ainda apresenta risco. Algumas pessoas, no entanto, afirmaram que vão permanecer no local.

OSASCO

Em Osasco, uma mulher morreu soterrada e seus três filhos estavam desaparecidos. A dona de casa Rose dos Santos, de 24 anos, estava dormindo às 11h40 quando o barraco em que vivia com as crianças foi tomado por terra. O irmão dela confirmou à Defesa Civil do município que Mateus, de 8 anos, Isaac, de 7, e Tainara , de 3, estudavam à tarde e estavam com a mãe no momento da tragédia.

O vizinho Carlos Alves Pereira viu quando o barranco caiu sobre a casa de Rose e foi o primeiro a tentar socorrê-la. "Foi um estrago, um monte de terra descendo morro abaixo. Não deu tempo de ajudar." Pereira só descobriu que conhecia a vítima quando chegou no local.

A dona de casa morava numa área de invasão no limite entre Osasco e Barueri. Segundo a prefeitura de Osasco, a favela Morro do Socó era urbanizada com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas a área em que Rose morava ainda não havia sido beneficiada.

Cinco barracos foram soterrados na ocupação. Além de Rose e das três crianças que estavam desaparecidas, outras três pessoas ficaram feridas. Cerca de 50 bombeiros de Osasco, Barueri e São Paulo trabalhavam nas buscas. Em Osasco, os moradores não conseguiam entrar em contato com os bombeiros por causa da pane telefônica.

São Paulo ainda registrou outros desabamentos, sem vítimas. Como o de parte do teto da loja Kalunga no Ipiranga, zona sul. A queda ocorreu às 11h, após uma parede ceder. A polícia trabalha com a hipótese de infiltração, mas o resultado da perícia só ficará pronta em 30 dias.

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