Despeitada abre encontro de bonecos em Olinda

Com os seios à mostra, "A Despeitada" abriu o desfile do 20.º Encontro de Bonecos Gigantes, nesta terça-feira de carnaval, em Olinda, como um marco de mudanças no evento. A ousadia do bonequeiro Silvio Botelho gerou polêmica ainda na concentração, no pátio da Igreja do Guadalupe, antes de 100 bonecos gigantes ganharem as ruas do sítio histórico da cidade. Os mais tradicionais bonecos gigantes de Olinda, "O Homem da Meia Noite" e "A Mulher do Dia", criados, respectivamente em 1932 e 1967, não participam do encontro de bonecos. Eles saem pelas ruas independentes, sem vinculação com o encontro. Ao contrário dos novos, que pesam 15 quilos e são confeccionados em material mais leve e resistente à chuva e a pancadas, os antigos pesam mais de 40 quilos e são feitos com papel. Em 20 anos do encontro, é a primeira vez que um boneco tira a roupa. "É uma apelação, quebra o espírito do desfile dos bonecos, o carnaval de Olinda não é de nudismo, é fincado na cultura popular", reclamou a corretora Flaviana Rondon, acompanhada de dois filhos pequenos, que foram ver os bonecos se preparando para o desfile. "A maioria das crianças gosta dos bonecos, querem de ver de perto, é constrangedor". "Isto é puritanismo hipócrita", reagiu o administrador de empresas Luciano Albuquerque. "Não é um peito de fora que vai desvalorizar a cultura". "As emissoras de televisão mostram nudez de verdade, violência, sem censura e ninguém diz nada". A nudez da boneca atraiu muita gente que queria pegar nos seus seios e tirar fotos. Para evitar danos e confusão, os seios foram cobertos com um pano vermelho. Para Silvio Botelho, idealizador e organizador do encontro de bonecos na terça-feira de carnaval, "quanto mais polêmica melhor". A Despeitada - segundo ele inspirada em "um figura" e criada para provocar despeito nas mulheres não tão bem dotadas - é só o início de uma nova fase do evento. "No formato em que se enquadrou, o encontro dos bonecos corre o risco de ficar chato", afirmou ele, que pretende inovar, colocando abre-alas e alegorias, tematizando o desfile a cada ano. "Queremos que os bonecos sejam para o carnaval de Olinda o que o Galo da Madrugada é para o carnaval do Recife". Além da "despeitada", outros dez novos bonecos gigantes engrossaram o encontro, que. Um boneco retratando o mais famoso passista de frevo do Estado, Nascimento do Passo, homenageou os 100 anos do frevo. A maioria deles representam figuras da cultura popular, do carnaval, da cidade, mas também agregam políticos e bonecos de empresas patrocinadoras do evento. Todos os 100 bonecos que desfilaram em Olinda funcionaram como outdoors ambulantes da Pitu, Montilla e Nova Schin. O custo total do evento, que envolve mais de 400 pessoas, foi de R$ 130 mil, de acordo com o produtor Leandro Castro. O preço inclui o show para animar a concentração, nesta terça a cargo do cantor Marrom Brasileiro, além de 160 músicos - 100 divididos em três orquestras de frevo e mais 60 alfaeiros (percussionistas) do Maracatu Nação Pernambuco, que acompanharam o desfile. Silvio Botelho não teme manchar a cultura popular ou descaracterizar um carnaval cuja fama se fez a partir da espontaneidade dos seus moradores e foliões ao transformar os gigantes em "bonecos propaganda". "O custo é alto e alguém tem que bancar", afirmou. "Se os órgãos governamentais não bancam, a gente procura quem patrocine." Os bonecos deixaram a concentração, sob fogos, ao meio-dia e duas horas depois chegaram à prefeitura de Olinda, num percurso tomado por uma multidão de foliões. Pouco depois se dispersaram.

Agencia Estado,

20 Fevereiro 2007 | 17h40

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