Despejo ameaça 2,5 mil famílias da zona leste de SP

Os moradores do Jardim Pernambuco, bairro da zona leste da cidade, realizaram neste domingo uma assembléia para discutir o futuro das 2,5 mil famílias que moram na região. Todas estão ameaçadas de desapropriação pelo decreto de reintegração de posse determinado pelo juiz Antônio Carlos Ribeiro dos Santos, da 3° Vara Cível de Itaquera, em 21 de junho. Na assembléia, que reuniu mais de 200 pessoas, os moradores decidiram viabilizar algumas ações para impedir a ação. O líder comunitário da zona leste, Wellington Duarte, vai tentar marcar um encontro com a prefeita Marta Suplicy nesta segunda-feira e, caso não consiga, vai organizar um protesto com mais de 40 mil moradores, incluindo os que vivem nas regiões vizinhas ameaçadas de desapropriação. "Vamos alugar 80 ônibus para levar o maior número de pessoas para fechar a Radial Leste", afirmou. Duarte explicou que o protesto será feita depois de várias tentativas de contato com a prefeita, por meio da chefe de gabinete, Mônica Valente, e do secretário de Governo, Rui Falcão. A decisão do juiz surpreendeu o secretário municipal da Habitação, Paulo Teixeira, pois o local foi decretado como de interesse social pela Prefeitura, no ano passado. Já o líder comunitário do Jardim Pernambuco, Celso Peruzzi, disse que a ação de desapropriação continuou em andamento, resultando no decreto do juiz, porque a Prefeitura não depositou os 10% do valor correspondente ao terreno. O secretário da Habitação, no entanto, afirmou que não existe a obrigatoriedade do depósito, mesmo seis meses depois de o local ter sido considerado área de interesse social. A Secretaria está aguardando uma proposta de ação de loteamento clandestino por parte do Ministério Público. O decreto do juiz obriga o cumprimento da liminar de reintegração de posse, a favor do comerciante Paulo Minami e de sua filha Cristina, donos de alguns lotes na região do Jardim Pernambuco, num prazo de 30 dias. O bairro corresponde a uma área de 2,5 milhões de metros quadrados. Os moradores estão inconformados com a ação e alegam que o terreno não pertence a Minami. "Ele fez um empréstimo no Banco do Brasil e adquiriu uma escritura penhorada do terreno. Para levantar o dinheiro, veio aqui e tentou dividir em lotes alguns terrenos e cobrar os moradores", contou Wellington Duarte. Segundo ele, os moradores já haviam pago pelo terreno para Eliane Fátima Carolino, que hoje desapareceu da região: "Cada uma das 2,5 mil famílias pagou 10 prestações de R$ 110. Nós até aceitamos pagar de novo desde que seja uma coisa honesta e definitiva." O mesmo problema acontece na vizinha Vila Bela, onde moram 17 mil famílias. "A nossa situação é ainda mais grave, pois a Prefeitura não decretou área de interesse social. Por isso estamos todos unidos contra essa indiferença dos governantes", disse o líder da Vila Bela, Ricardo Norimiar. Os moradores da região temem que se repita o mesmo confronto de novembro do ano passado, quando 2 mil moradores enfrentaram os 220 homens da Polícia Militar, que tinham ordens para desocupar parte do bairro. Na ocasião, os policiais utilizaram bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo, causando o desmaio de cinco moradores. A confusão só terminou quando o secretário Paulo Teixeira conseguiu suspender o mandato de reintegração do terreno.

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