Destacar a "boa relação" com Aécio é estratégia de campanha de Lula em Minas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou ministros mineiros e aliados influentes a tentar "colar" a sua imagem à do governador tucano Aécio Neves em Minas Gerais. Tanto Lula quanto a coordenação de sua campanha estão certos de que Aécio, potencial candidato a presidente em 2010, não poderá fazer "corpo mole" no segundo turno por deveres e obrigações partidários. A estratégia, então, é minimizar os efeitos nas pesquisas, das fotos do governador ao lado de Alckmin, nos comícios, caminhadas e programas eleitorais de TV.Analistas avaliam que Minas Gerais é o grande peso da balança no segundo turno. Aécio Neves venceu o primeiro turno com 77,03% dos votos, sendo o segundo governador mais votado em proporção do País. Paulo Hartung (PMDB) foi reeleito no Espírito Santo com 77,27%. O apoio público de Aécio a Alckmin mudou, segundo analistas, o quadro eleitoral. Semanas antes do primeiro turno, pesquisas indicavam que Lula teria 54% dos votos dos mineiros e Alckmin, 31%. Com a maior participação do governador na campanha do candidato tucano à Presidência, Lula recebeu 50% dos votos em Minas. Alckmin ficou com 40,2%.A coordenação da campanha de Lula quer maior presença do ministério em Minas, com mais atos e divulgação de ações do Governo Federal em todas as regiões do Estado. Sempre que possível, os aliados vão ressaltar a "boa relação" do presidente com Aécio.Foi o próprio Lula quem, num telefonema ao governador, deu o tom que ministros e outros aliados devem usar no tratamento ao governador - muita "cordialidade" e demonstrações de intimidade e amizade. "Meu caro, parabéns pela vitória (na disputa para o governo estadual). Mas agora, no segundo turno, você poderia tirar férias e ir passear em Paris", brincou o presidente, no telefonema, segundo uma pessoa do Planalto que ouviu a conversa.O vice-presidente José Alencar, o ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, e o ex-ministro e deputado federal eleito Ciro Gomes são algumas dos aliados que telefonam quase diariamente para Aécio. Os aliados estão certos de que Aécio pode se expor com mais discrição no apoio a Alckmin.Elite PaulistaApós encontro com Lula, Ciro aproveitou a presença de jornalistas de rádios mineiras, para falar "algumas coisas" aos mineiros. "O povo mineiro tem de impor uma derrota fragorosa ao Alckmin", disse. "São Paulo quer destruir Minas e o Rio Grande do Sul para reinar."Ciro rasgou elogios a Aécio e disse que o governador está sendo obrigado a cumprir "deveres" partidários, como fazer campanha para Alckmin. "Para defender Aécio, o povo mineiro tem de contrariá-lo no segundo turno", disse. "Quem defende Aécio em Minas deve defender Lula", acrescentou. E disparou ataques aos tucanos paulistas, que atingiram até petistas: "A tragédia brasileira é a classe dominante de São Paulo", disse. "Certo dia fui ao teatro e lá estava a Marta Suplicy, o José Serra e o João Sayad. O PT e o PSDB em São Paulo sob todos os pontos de vista são a mesma coisa", acrescentou. "Eles são frutos de uma sociologia que não é brasileira."O ex-ministro observou que o segundo turno da eleição para presidente é decisivo para as pretensões do governador mineiro. "Ele (Aécio) está com um pepino para raciocinar. Se acertar, vira um líder nacional", disse Ciro. O ex-ministro aposta que "Minas Gerais" não vai faltar nesta "hora", sugerindo que Aécio conseguirá driblar o PSDB paulista. "Podem apostar e acreditar nisso."Um ministro mineiro de Lula disse que Aécio já fez "até demais" para Alckmin no primeiro turno. "E agora, como é que fica o projeto político dele (Aécio) para 2010? Ele deve descansar da exaustiva campanha para governador agora. Chega de campanha", disse esse ministro.Já o vice-presidente José Alencar, em entrevista nesta quinta-feira no Alvorada, chegou a lembrar que a boa relação que mantém com Aécio vem dos tempos em que era amigo do avô paterno do governador, o ex-deputado federal Tristão da Cunha, que nos anos 1930 assinou o "Manifesto dos Mineiros" contra o Estado Novo implantado pelo governo Vargas. "O sentimento de Minas deve falar mais alto", disse Alencar ao ser questionado sobre a postura de Aécio no segundo turno.

Agencia Estado,

05 de outubro de 2006 | 17h47

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