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Reuters
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Destroços do Airbus da Air France não têm sinal de fogo

Muitos dos destroços eram compostos por materiais plásticos e espuma, alguns em bom estado de conservação

Mônica Bernardes, de O Estado de S. Paulo,

12 de junho de 2009 | 12h40

Os 37 itens que fazem parte do primeiro lote de destroços do voo AF 447 já resgatados foram apresentados, nesta sexta-feira, 12, à Imprensa, pelos comandos da Aeronáutica e Marinha. A visualização do material reforçou a hipótese de inexistência de fogo ou explosões durante a queda do avião no Oceano Atlântico, defendida por alguns especialistas. Muitos dos destroços eram compostos por materiais plásticos e espuma, alguns em bom estado de conservação, como uma maleta da cor laranja, máscaras de oxigênio, garrafas plásticas, assentos de tripulantes e almofadas. Não havia sinais de marcas de fogo em nenhuma das peças.

 

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O material está depositado em um galpão dentro da Base Aérea de Recife e deverá ficar no local até que os peritos do BEA (órgão francês responsável pelas investigações), que chegam amanhã à cidade, definam o destino dos destroços. Durante os 30 minutos em que foi possível visualizar as peças, alguns detalhes chamaram a atenção: os assentos da tripulação, presos a uma estrutura branca, de aproximadamente 3 metros de altura, estavam em recolhidos, inclusive com os cintos de segurança presos à área interna, como se não houvessem sido utilizados no momento do acidente.

 

Além das peças já citadas havia vários pedaços de madeira e plástico, um fragmento de metal (aparentemente da fuselagem), duas portas do compartimento de bagagem de mão, duas bolsas plásticas amarelas (com inscrições em inglês) e um pacote lacrado que seria, segundo as inscrições identificadas, um salva-vidas inflável.

 

Também no domingo, 14, devem ser desembarcados no Porto do Recife um segundo lote de destroços, que estão a bordo da Fragata Constituição. Entre eles a maior peça resgatada até o momento, com aproximadamente 7 metros de comprimento e que segundo analistas em aviação faria parte do leme da aeronave.

 

Apesar de evitar se pronunciar sobre as causas da queda e os detalhes que cercam como aconteceu o acidente, o brigadeiro Ramon Borges, chefe do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) confirmou haver "possibilidades técnicas" de uma aeronave desintegrar-se parcialmente no ar, conforme a hipótese apontada por analistas ouvidas pelo O Estado de São Paulo. "Isso vai depender da altitude e de outras variáveis. Se houve repartição, se caiu uma parte primeiro, a outra depois, só a investigação será capaz de apontar", limitou-se a afirmar, durante entrevista coletiva na sede do Cindacta III.

 

Corpos

 

A Aeronáutica acredita que não será possível encontrar todos corpos de vítimas do Voo 447 da Air France, que caiu no Oceano Atlântico em 31 de maio, até o dia 20 de junho. A afirmação foi feita pelo diretor do departamento de Controle do Espaço Aéreo da Aeronáutica, brigadeiro Ramon Borges Cardoso, em entrevista coletiva. Até o momento, já foram localizados 44 corpos de vítimas do acidente.

 

O brigadeiro ressaltou ainda que não se sabe o ponto exato da queda do avião. "Mas nós temos uma área provável. Essa informação já foi repassada e está servindo como base para os navios que estão fazendo a pesquisa com o sonar".

 

Segundo o almirante Júlio de Moura Neto, do Comando da Marinha, a fragata Jaceguai segue para os locais de buscas nesta sexta, substituíndo a fragata Constituição, que volta para o arquipélago de Fernando de Noronha com três corpos resgatados no feriado. Os militares informaram também que as duas aeronaves francesas não estão ajudando nas buscas nesta sexta porque passam por manutenções de rotina.

 

Perícia nos corpos

 

Um dia depois de O Estado de São Paulo divulgar, com exclusividade, detalhes sobre a perícia realizada nos corpos das 16 primeiras vítimas do vôo AF 447 já resgatadas, fontes que tiveram acesso visual a alguns dos corpos, no Instituto de Medicina Legal, em Recife, reafirmaram que apesar do "avançado estado de decomposição, não havia nenhum sinal de queimadura ou chamuscamento".

 

Durante toda esta sexta-feira, 12, as condições metereológicas adversas atrapalharam o trabalho em toda a área de buscas. Como já havia sido previsto pelo comando militar, a partir de cálculos feitos por especialistas, as correntes marítimas - que estava migrando até anteontem para o Norte, voltaram a mudar de rumo na direção Oeste. Isto faz com que possíveis novos destroços e corpos se aproximem da área dos arquipélagos São Pedro e São Paulo e Fernando de Noronha. Na quarta e quinta-feira, as áreas de buscas foram concentradas em as águas sob responsabilidade de Senegal em função das correntes marinhas. 

 

De acordo com o brigadeiro Ramon Borges, até o final da manhã apenas alguns prováveis destroços haviam sido avistados pelas aeronaves que fazem as buscas. Navios da Marinha brasileira foram dirigidos até a área para efetuar o recolhimento.  

 

O brigadeiro confirmou ainda que a possibilidade de encontrar corpos - e não apenas fragmentos - está ficando cada vez mais difícil. "Nos reunimos com alguns especialistas e eles disseram que a média de tempo para o resgate de corpos é de até 20 dias, considerando as características do meio onde estão sendo feitas as buscas. Depois disso, as chances são mínimas. A maior probabilidade é de acharmos apenas despojos", sentenciou.  

 

O comandante do Decea enfatizou que o trabalho de buscas está mantido até pelo menos o próximo dia 19. "No dia 17 faremos uma reunião de avaliação. Dependendo do resultado, nos organizaremos para continuar até o dia 25, mas a partir daí faremos avaliações a cada dois dias", comentou.

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