Destruição chegou até o 9º andar do prédio que explodiu no Rio

Vítimas temiam que edifício desabasse; pânico também atingiu hóspedes de hotel

PEDRO DANTAS e BRUNO BOGHOSSIAN , O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2011 | 03h02

RIO - Câmera da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mostra que, no momento da explosão no restaurante Filé Carioca, três homens conversavam na porta do estabelecimento e um rapaz de camisa branca passava por ali. Só o funcionário do restaurante Egídio da Costa Neto, de 46 anos, sobreviveu. Ele está em estado gravíssimo, com múltiplas fraturas, e foi transferido para o Hospital Miguel Couto. A transeunte Daniele Cristina, de 18 anos, está em estado grave com edema cerebral e lesão facial. Ela passou por duas cirurgias. Um homem identificado como Roberto também está em estado grave com perfuração no tórax.

Os pisos dos quatro andares superiores do Edifício Riqueza ficaram parcialmente destruídos. "Estava no 4.º andar. O chão sumiu e fui caindo. Ouvia os pedidos de ajuda aos gritos nas escadas. Só tive tempo de me arrastar, porque não sabia se haveria outra explosão ou se o edifício desabaria", disse o auxiliar administrativo Anderson Almeida, de 33 anos, que feriu a perna esquerda. Ele afirmou que não conseguiu atendimento no Hospital Souza Aguiar, no centro, para onde foram levadas as vítimas.

Os 250 quartos do Hotel Formule 1 estavam lotados. Os hóspedes entraram em pânico. "Acordamos com o barulho e estávamos no 9.º andar. Pensei que era um bueiro ou batida de carro, mas nada disso faria o prédio tremer daquele jeito. O alarme tocou no corredor e descemos na hora", contou Márcia Mendonça, de 53 anos.

A italiana Ambra Febbrari, de 28 anos, chegou de Salvador e não entendia o que ocorria. "Ninguém falava inglês. Um rapaz bateu na porta e entendi que era para sair, mas não sabia o que estava acontecendo", contou a turista. À tarde, após vistoria dos técnicos da Defesa Civil, alguns hóspedes retornaram aos quartos. O Edifício Riqueza permanecerá interditado.

 

Prejuízo. A explosão causou destruição nos arredores. A empresária Márcia de Almeida Gulino, de 41 anos, era dona de uma loja de iogurtes no prédio em que ocorreu a explosão. Ela calcula o prejuízo em R$ 400 mil. "Cheguei aqui e não tinha mais nada. Fiquei em estado de choque também porque vi muita gente ferida na praça", disse. "Não tinha nem seguro na minha loja. O pior agora é conseguir força para recomeçar."

Jorge Luiz Rosa Leal, dono de uma banca de jornal a 15 metros do restaurante, contou que os funcionários sentiram o cheiro de gás assim que chegaram ao estabelecimento. Ele disse que estava dentro da banca no momento da explosão. "Ouvi um barulho muito forte e tudo tremeu. Achei que um ônibus tinha entrado no prédio", afirmou. "Quando saí da banca, tinha tanta poeira no ar que era impossível enxergar o que tinha acontecido. Havia muita gente desesperada e destruição."

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