Detalhes sobre destroços devem sair em 24 horas, diz ministro

Três navios da Marinha brasileira viajam para o ponto de busca estipulado e devem chegar na noite desta terça

02 de junho de 2009 | 17h23

O ministro do Turismo brasileiro, Luiz Barretto, disse nesta terça-feira, 2, em Bogotá que nas próximas 24 horas se terá "informação específica" sobre os restos do avião localizados no Atlântico, que poderiam corresponder ao Airbus da Air France, segundo a Efe.

 

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A Força Aérea Brasileira (FAB) avistou esta madrugada uma cadeira de avião, pequenos pedaços brancos, uma boia laranja e um tambor, além de manchas de óleo e de querosene 650 quilômetros a nordeste de Fernando de Noronha.

 

"Estamos falando de um ponto que fica a quase mil quilômetros do litoral brasileiro no mar e é de muito difícil acesso. Portanto, eu tenho a impressão de que nas próximas 24 horas teremos informação específica", disse o ministro.

 

Três navios da Marinha brasileira viajam para o ponto de busca estipulado e devem chegar esta noite.

 

Barretto afirmou que "não está claro se está em águas brasileiras ou em águas do Senegal" e lembrou que também um piloto da companhia aérea TAM assegurou ter detectado "pontos luminosos" sobre o mar senegalês quando fazia um voo entre Paris e Rio de Janeiro.

 

O ministro assegurou que após várias horas desaparecido, "não há nenhuma possibilidade, ou são muito pequenas, muito poucas, as possibilidades de sobrevivência" dos 216 passageiros de 32 nacionalidades diferentes e 12 tripulantes do voo.

 

Além disso, o ministro anunciou que se está "trabalhando para explicar os efeitos desse acidente tão terrível e tão lamentável" através de um estudo técnico que será revelado pelo Governo francês e a Air France.

 

Destroços

 

Aviões da Força Aérea Brasileira visualizaram nesta terça-feira, 2, destroços de uma aeronave no oceano Atlântico a cerca de 650 quilômetros de Fernando Noronha durante operação de buscas da jato da Air France que desapareceu com 228 pessoas a bordo. "Foram encontradas peças metálicas e não-metálicas, incluindo poltronas", disse à Reuters por telefone o chefe de relações de imprensa da Aeronáutica, o tenente-coronel Henry Wilson.

 

Entre os objetos estavam uma poltrona de avião, pequenos pedaços brancos, uma bóia laranja, um tambor, além de vestígios de óleo e querosene, informou a FAB em comunicado.

 

Um navio mercante holandês que estava em rota comercial desviou seu trajeto a pedido da Marinha e chegou ao local onde a FAB avistou os destroços, informou a Marinha, acrescentando que por enquanto a embarcação não relatou ter encontrado nada. Outros dois navios mercantes estavam a caminho do mesmo local. "Navios mercantes têm uma função específica de recolher sobreviventes, mas podem também nos passar informações se avistarem algum destroço", disse Henrique Afonso.

 

Perguntado se os aviões brasileiros avistaram sinais de sobreviventes, o coronel Amaral respondeu: "Até agora, não."

 

Voo 447

 

O Voo 447 levava 126 homens, 82 mulheres, 7 crianças e um bebê, além dos 12 tripulantes - 3 tripulantes técnicos e 9 comissários. Segundo a companhia, a aeronave entrou em funcionamento em 2005 e recebeu manutenção pela última vez em 16 de abril deste ano. O acidente é o mais grave da história da empresa, caso não sejam encontrados sobreviventes. O avião deveria ter chegado a Paris às 11h (6h, horário Brasília), mas perdeu o contato.

 

Segundo a relação divulgada pela Air France, dos passageiros do Airbus desaparecido, são 61 franceses e 58 brasileiros. Porém, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirmou que a Polícia Federal apurou que 52 brasileiros estavam no voo - mais tarde alteraram o número para 57 -, e muitos desses passageiros têm dupla nacionalidade - brasileiros com naturalidade francesa e vice-versa -, o que dificulta o trabalho de checagem na lista de passageiros, que está sendo feito com ajuda da Polícia Federal.

 

Além disso, viajavam 26 alemães, nove italianos, seis suíços, cinco libaneses, quatro húngaros, três eslovacos, três noruegueses, três irlandeses, dois americanos, dois espanhóis, dois marroquinos e dois poloneses. Havia também um cidadão de cada um dos seguintes países: África do Sul, Argentina, Áustria, Bélgica, Canadá, Croácia, Dinamarca, Islândia, Estônia, Gâmbia, Holanda, Filipinas, Romênia, Rússia, Suécia e Turquia. Ainda não há previsão para a divulgação da lista com o nome dos passageiros.

 

Causas

 

A investigação das causas do acidente foi entregue ao Escritório de Investigações e Análises para a Segurança da Aviação Civil (BEA), da França. Os motivos para o desaparecimento do Airbus A330 da Air France seguem desconhecidos.

 

A Air France fez um relato das horas seguintes a sua decolagem do aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro, às 19h (Brasília). Segundo a companhia, o avião atravessou uma zona de tempestades e turbulências fortes que poderiam ter afetado seus circuitos elétricos. Durante o voo, a 1.228 quilômetros de Natal, a aeronave informou perda de pressurização. O diretor de comunicação da companhia, François Brousse, declarou que também é possível que o avião tenha sido atingido por um raio.

 

Outra possível causa é a condição climática da região onde o avião teria desaparecido. Trata-se da chamada zona de convergência intertropical, onde há a formação de muitas áreas de instabilidade, com raios e tempestades. De acordo com a meteorologista da Climatempo, Fabiana Weykamp, esta hipótese não pode ser descartada, mas ela destaca que esta zona de convergência intertropical é muito conhecida de pilotos e companhias aéreas. Portanto, esta instabilidade da região seria levada em conta no plano de voo da aeronave da Air France.

 

A falta de explicações para o acidente obrigou o diretor-presidente da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, e o ministro da Ecologia e dos Transportes da França, Jean-Louis Borloo, a admitirem, ainda na noite de ontem, que a hipótese de ato terrorista não está sendo ignorada. "Nada pode ser descartado", afirmou Borloo. Embora o Brasil não seja alvo de ações terroristas, a França é, constantemente, objeto de ameaças provenientes de grupos islâmicos extremistas.

 

Mesma opinião foi manifestada pelo ministro da Defesa francês, Herve Morin. "Não podemos descartar um ato terrorista já que o terrorismo é a maior ameaça às democracias ocidentais, mas nesse momento não temos qualquer elemento indicando que tal ato tenha causado esse acidente", afirmou à rádio Europe 1, segundo a Reuters.

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