Detentas bebem água racionada e OAB condena presídio do PA

Comissão da Câmara visita cadeias no Estado e presas afirmam que sofrem ameaças para não fazerem denúncias

Carlos Mendes, do O Estado de S.Paulo,

29 Novembro 2007 | 17h20

O Centro de Recuperação Feminino (CRC), em Ananindeua, na região metropolitana da capital paraense, para onde estão sendo levadas presas do interior do Estado que dividiam celas com homens, não tem condições de abrigá-las. O local está superlotado e as recém chegadas denunciam que só têm direito a meio copo com água duas vezes por dia. "Há péssimas condições no trato com essas presas, que estão amontoadas pelas celas", disse a conselheira da Ordem dos Advogados do Brasil no Pará, Valena Jacob.   Menor deficiente foi estuprada em prisão do PA, denuncia OAB Cai delegado que chamou L. de débil Ação cobrará R$ 700 mil do Estado Presa engravidou duas vezes   Ela esteve na manhã desta quinta-feira, 29, no local juntamente com representantes da Ouvidoria do Estado e Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, fazendo uma vistoria. O trabalho começou na quarta-feira, 27, quando onze presas foram ouvidas e relataram casos de violência física, moral e até de extorsão praticada por policiais em delegacias do interior.   Além dos problemas, algumas presas contaram à comissão que estariam se sentindo ameaçadas pela direção do CRC e recebendo recados de policiais para não falarem nada contra a direção do presídio, seja aos próprios integrantes da comissão ou a jornalistas. "Não há estrutura adequada nem clima aqui dentro para que elas sejam ouvidas e relatem tudo o que sofreram nas prisões do interior ou mesmo os problemas que enfrentam no CRC", enfatizou Valena Jacob. Os depoimentos começaram a ser tomados no final da manhã na sede da OAB, para onde dez presas foram conduzidas.   Os deputados federais integrantes da Comissão Externa do Congresso que apura o caso da menor L. criticaram nesta quinta, durante entrevista, a postura da justiça paraense, dizendo que, apesar de inúmeras tentativas, eles retornam a Brasília sem ter conseguido falar com ninguém do judiciário. "É lamentável. Todos sumiram e nem a juíza do município se manifestou. Apesar de tentarmos, ninguém apareceu", comentou a presidente da Comissão, Luiza Erundina.   Visivelmente aborrecida, Erundina foi taxativa: "não viemos ao Pará fazer caça as bruxas, mas sim apurar os fatos. As autoridades devem dar respostas e realizações de curto e médio prazo porque a situação de Abaetetuba e do sistema carcerário do Pará são insustentáveis". A presidente do Tribunal de Justiça, desembargadora Albanira Bemerguy, foi procurada para responder as críticas da Comissão, mas sua assessoria informou que ela estava viajando pelo interior do Estado para inaugurar uma obra do TJ.

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