Detento é assassinado dentro de cela em Ribeirão

João Paulo Alves da Silva, de 21 anos, que estava detido provisoriamente por 5 dias no anexo do 1º DP de Ribeirão Preto, foi encontrado morto com quatro cortes nas regiões da cabeça e do pescoço, em sua cela na manhã de hoje. Ele havia sido preso pela polícia por roubo na tarde de quarta-feira, e teria confessado sua participação no atentado à casa do delegado Paulo Pereira de Paula no início do mês. Ele seria defendido pelo advogado Joanin del Sant, que, depois de visitá-lo, foi morto no início da noite da mesma quarta-feira com três tiros de fuzil, além de uma granada ter sido jogada em sua caminhonete e falhado. Outro detalhe: ele revelou informações de que o Primeiro Comando da Capital (PCC) planejava assassinar autoridades do município, como delegados, juízes e promotores.O corpo de Silva só foi percebido pelo carcereiro Antonio Carlos Martins no início da manhã. Então, a sede do 1º DP tornou-se agitada, com a presença de vários delegados, juízes e advogados. A mãe e o irmão de Silva acusaram a polícia de ter feito uma "queima de arquivo". "Ele estava sendo torturado para confessar algo que não tinha feito", disse Júlio Alves da Silva. O delegado Luiz Roberto Spadafora, da Delegacia do Interior (Deinter-3), afirmou que houve uma falha na segurança e que o carcereiro interno Martins, que havia dormido e nada ouviu durante a madrugada, foi afastado preliminarmente.A necrópsia do corpo de Silva indicou quatro ferimentos profundos, feitos por um instrumento corte-contuso (machadinha ou cutelo): acima da orelha, abaixo da mandíbula, pescoço e região cervical, todos do lado esquerdo. O corpo estava deitado de costas e uma lesão na mão indica que tentou reagir. O médico-legista Mário Abeid acredita que o crime tenha ocorrido aproximadamente às 2 horas da madrugada. O cadeado da cela estava intacto e a cabeça de Silva do lado oposto à porta, o que indica que o autor entrou na cela. Depois, ainda usou o sangue da vítima para inscrever a numeração 15.3.3, indicando as letras do alfabeto que identificam o PCC. Outros três detidos provisoriamente nada ouviram ou viram.A Delegacia Seccional investigará o caso e só a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Estado se manifestará, segundo Spadafora, que não ignorou a hipótese de policiais terem participado do crime. "A polícia parte para um leque muito amplo de opções de investigação e nenhuma hipótese pode ser descartada", afirmou Spadafora. Ele disse que a segurança de Silva não foi diminuída, pois o detido tinha participação em vários crimes.Silva teve proteção especial da polícia na noite de quarta-feira, já que surgiu a informação de que um grupo invadiria o 1º DP para matá-lo. Equipes do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) e do Grupo Especial de Resgate (GER) cercaram o 1º DP. Com as informações do depoimento de Silva, a polícia deteve, na tarde de ontem, dois participantes de um roubo de residência, na semana anterior. Os três, e mais dois, teriam usado granadas no roubo. Duas granadas e três armas foram apreendidas na ação.No final da tarde de ontem, delegados, juízes, promotores e um representantes da PM reuniram-se no Fórum, que teve forte proteção no lado externo. Ninguém revelou o que se discutiu. Porém, várias ameaças anônimas, inclusive à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) local, foram feitas. O próprio João Paulo da Silva havia dito, em depoimento, que as rotinas das autoridades tinham sido vigiadas. O delegado Odacir Cesário da Silva, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), disse que teve informações de que o PCC estaria vingando-se de autoridades após as mortes de integrantes da facção criminosa ocorridas perto de um pedágio de Sorocaba. Odacir não acreditava na possível invasão da DIG, mas a morte de Silva o desmentiu.

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