Detento sai pela porta da frente de presídio em Pernambuco

Polícia investiga dois policiais militares suspeitos de facilitaram a fuga; preso continua foragido

Angela Lacerda, do Estadão,

28 de novembro de 2007 | 17h24

No mesmo dia em que dois fugitivos pularam, no domingo passado, 25, o muro do Centro de Triagem (Cotel) no município metropolitano de Abreu e Lima, Jurandir José da Silva, preso por porte ilegal de arma e assalto, saiu com toda tranqüilidade pela porta da frente do presídio, sob o olhar de dois policiais militares e ainda recebeu um tapinha nas costas de um colega detento, como despedida. Era tarde e ele se misturou aos visitantes que deixavam o local, depois de pegar sua carteira de identidade na portaria. Os dois PMs suspeitos de facilitarem a fuga, cabo Gilvan Martins da Silva e soldado José Abílio da Silva, estão presos desde terça-feira. A prisão é administrativa, por três dias. Eles estão sendo investigados por uma sindicância aberta pela Corregedoria Geral da Defesa Social. A Polícia Civil abriu inquérito e poderá pedir a prisão preventiva dos policiais. Se culpados e com menos de 10 anos de serviços na PM, poderão ser excluídos da corporação. Jurandir está sendo procurado pelo sistema penitenciário. O secretário de Ressocialização, Humberto Viana, afirmou que a sua captura é importante inclusive para ajudar a esclarecer a participação dos envolvidos na fuga. Dos outros dois fugitivos que haviam pulado o muro do Cotel no final da manhã, o assaltante Humberto Rodrigues Santa foi recapturado no mesmo dia. O outro se mantém foragido. Vídeo As imagens do circuito interno do presídio mostram cena a cena. Jurandir entra na sala da armaria (espécie de escritório administrativo) acompanhado de um soldado. Retorna para dentro do presídio. Cerca de duas horas depois, quando tem início a saída das visitas, ele aparece, pega a identidade com um policial que confere foto e assinatura, e sai. Ele estava preso há 12 dias. Neste mesmo domingo, Joseano Bezerra da Silva, 30 anos, acusado de traficar drogas, foi morto por colegas, no Pavilhão B, porque teria infringido código de honra entre os detentos. Ele teria estuprado a mulher de um colega que o visitava.  Enquanto os detentos que fugiram pela manhã começaram a ser procurados logo depois da fuga, a ausência de Jurandir só foi constatada à noite, depois da contagem dos presos. A exemplo da maioria dos presídios de Pernambuco, o Cotel tem superpopulação carcerária. Com capacidade para 311 pessoas, abriga 998.

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