Detentos de Guarulhos planejavam matar 30 presos

Os responsáveis pelas mortes de 7 detentos na última quinta-feira, no Centro de Detenção Provisória (CDP-I) de Guarulhos, na Grande São Paulo, tinham plano de matar pelo menos 30 presos. A revelação foi feita pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB de Guarulhos), Fábio de Souza Santos. Ele disse que obteve a informação de outros presos, funcionários e da direção do CDP-I.Santos, que esteve no CDP-I no dia da rebelião e acompanha os desdobramentos do caso, contou que só não houve mais mortes porque os presos rebelados não tiveram acesso a outros dois raios (pavilhões) do CDP-I, de números 1 e 2. Agentes penitenciários conseguiram manter fechados os acessos a esses raios e contiveram o avanço dos rebelados com jatos d?água de mangueiras de hidrantes.No entanto, os rebelados entraram no raio 3 e mataram os 7 presos, numa cela onde havia 13 detentos. Santos reafirmou a informação dada por ele na quinta-feira de que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Democrático da Liberdade (CDL) se associaram para matar os 7 presos, que eram do Comando Revolucionário Brasileiro da Criminalidade (CRBC).Quanto ao desenho da sigla CDL aos pés dos mortos, no corredor central do CDP-I, Santos acredita que essa é uma referência a uma das facções autoras da chacina. Há versões diferentes, por exemplo, a de que os mortos seriam do CDL, e os autores do crime, do CRBC. Só há um consenso: a chacina foi uma disputa de facções para dominar um presídio novo, com apenas dois meses de funcionamento.Um dado que pode confirmar a versão obtida por Santos sobre o plano de matar é o fato de, no mesmo dia da rebelião, terem sido transferidos 160 presos do CDP-I para o CDP-II, que fica próximo.A reportagem tentou falar com a diretora do CDP-I, mas ela não estava na unidade, segundo uma funcionária. A Secretaria de Estado da Administração Penitenciária não confirmou as informações da OAB. Segundo a pasta, detalhes da rebelião estão sendo apurados em sindicância instaurada pela Corregedoria Administrativa do Sistema Penitenciário.Na rebelião morreram os detentos Fábio da Silva Alves, de 21 anos, que esteve preso por receptação no CDP de Osasco e foi para o CDP de Guarulhos; Marcelo Luiz Ramiro, de 29 anos, preso por furto; Adílson Rodrigues Garcia, de 22 anos, preso por roubo; Marcos Pimentel Carvalho, de 28 anos, preso por furto e roubo; Adaílton Gomes Pinto, de 24 anos, preso por roubo; Denis Augusto Marques, de 26 anos, preso por furto e formação de quadrilha; Romildo Rodrigues da Silva, de 21 anos, preso por furto e roubo e também procedente do CDP de Osasco.

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