Detentos do Complexo de Hortolândia serão remanejados

Os quase seis mil detentos das seis unidades do Complexo Penitenciário de Hortolândia e da Cadeia de São Bernardo estão sendo remanejados, de acordo com determinação da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária. Os de menor periculosidade ocuparão a Cadeia de São Bernardo e os mais perigosos ficarão concentrados no Centro de Detenção Provisória (CDP) 1, em Hortolândia. A resolução da Secretaria foi publicada ontem no Diário Oficial do Estado e definida como Regime Disciplinar Especial (RDE). Segundo considerou o secretário Nagashi Furukawa, a decisão foi tomada porque o "número de presos provisórios e condenados, de periculosidade exacerbada e comportamento rebelde, vem crescendo de modo preocupante" no complexo de Hortolândia. De acordo com a Secretaria, pelo menos 490 presos do complexo Campinas-Hortolândia podem ser descritos como de alta periculosidade porque participam de facções criminosas, comandam fugas, foram flagrados com armas ou celulares e agrediram colegas. Eles permanecerão no máximo um ano no RDE, prazo que poderá ser prorrogado. As celas do CDP 1 abrigarão até oito presos cada, para facilitar a fiscalização. O presídio terá bloqueador de celular, detetor de metais e todas as visitas passarão por rigorosa revista, conforme a Secretaria. O RDE inclui ainda medidas como redução do número de horas para o banho de sol, das visitas, e proibição da visita íntima. A operação de remanejamento deverá estar concluída em 30 dias. A Secretaria não comenta o assunto, mas a estimativa dos agentes penitenciários é que pelo menos 10% da população carcerária de Campinas-Hortolândia integrem o Primeiro Comando da Capital (PCC). O RDE é uma variação do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), adotado em penitenciárias de segurança máxima, como as de Presidente Bernardes, Taubaté e Avaré. O Complexo de Hortolândia concentra o maior número de presos no Estado. A Secretaria informou que o local não irá transferir seus presos para outras cidades e também não os receberá. Este ano, foram registradas 82 fugas somente no complexo de Hortolândia. O Ministério Público investiga ainda um esquema de extorsão a famílias de presos, que ajuda a financiar fugas e manter o tráfico de drogas no interior dos presídios.

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