Detentos falam em bala com areia na Castelinho

O deputado Renato Simões (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, e o advogado João José Sady, da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil seção São Paulo (OAB-SP), disseram nesta terça-feira que, segundo relato de dois presos os 12 ladrões mortos por policiais do Grupo de Repressão e Análise dos Delitos de Intolerância (Gradi) e do Batalhão de Choque no pedágio da Castelinho, em março, usaram munição com areia. Duas armas entregues aos bandidos por um criminoso infiltrado na quadrilha - um fuzil AK-47 e um Colt, apreendidos de contrabandistas - teriam sido fornecidas aos militares por policiais federais de Santos. As afirmações foram feitas na semana passada, na Penitenciária de Taubaté, por dois dos bandidos que "trabalhavam" para o Gradi. Eles detalharam ao deputado e ao advogado o plano da "operação Castelinho". Simões não deu o nome dos presos. De acordo com Simões, após a abordagem do ônibus, onde viajavam os 12 bandidos, três saíram com as mãos para o alto e foram executados. Depois, os PMs das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) entraram no ônibus e metralharam os demais. Segundo os presos, os militares extorquiam dinheiro de quadrilhas de ladrões de cargas e combustíveis. Eles disseram que militares do Gradi e da Rota são responsáveis por um grupo de extermínio que tinha um ritual de batismo: atirar na vítima. "Depois acusavam os ?justiceiros da região pelas mortes." O deputado fez questão de explicar que "em nenhum momento" os dois presos apontaram o secretário da Segurança de SP, Saulo de Castro Abreu Filho, e o ex-secretário Marco Vinício Petrelluzzi como participantes de qualquer plano. "Repetiram que participaram dos encontros somente com o ex-comandante geral da Polícia Militar Rui Cesar Melo", afirmou o deputado.A reportagem tem tentado falar com Melo há várias semanas, mas ele não responde. Os dois bandidos apontaram ainda o empresário Ari Natalino como participante de roubo de combustível. O ladrão - a quem Simões chama de testemunha - contou que ele, um militar do Gradi e Natalino, dono da Petro Forte, foram de avião a Atibaia. No hangar, disseram os presos, o militar recebeu dinheiro e deu ao ladrão R$ 3 mil. O advogado da Petro Forte, Wellington Campos disse que a acusação contra Natalino "é absurda".

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