Detentos fazem reféns após tentativa de fuga frustrada de Andinho

Detentos da penitenciária Nestor Canoa, em Mirandópolis, interior de São Paulo, se rebelaram na tarde desta sexta-feira e fizeram 34 reféns. Eles também atearam fogo em colchões. Guardas da muralha impediram, às 15h30, a fuga do seqüestrador Wanderson Nilton de Paula Lima, o "Andinho". Revoltado, ele e um grupo detentos fizeram 34 funcionários reféns. O coordenador dos Estabelecimentos Prisionais da Região Oeste, José Reinaldo da Silva, foi chamado para negociar com os presos. Segundo agentes penitenciários, "Andinho" e um grupo de presidiários portavam um revólver 38 e uma pistola 765. Os funcionários não souberam dizer como os detentos tiveram acesso às armas. Também não foi explicado como o seqüestrador conseguiu uma camiseta de agente de segurança para se disfarçar de guarda de presídio (GP) e passar por alguns portões sem ser notado. Com o armamento e o uniforme de agente, "Andinho" e seus parceiros não tiveram dificuldades para sair do pavilhão 1 e chegar ao setor de atendimento, onde dominaram primeiro o diretor de disciplina Luís Donizete Pereira. O funcionário conversava com outros presidiários quando foi rendido. O chefe de plantão, Juliano Antônio Pereira, também foi feito refém. Sob a mira das armas, o diretor e o chefe de plantão, ameaçados de morte, serviram de escudo. Os presos e os dois reféns passaram por nove portões, do setor de atendimento até a portaria. Do lado de fora, uma mulher esperava o grupo em um carro. O plano, no entanto, fracassou. Agentes Especiais de Vigilância Penitenciária (Aevps) notaram a movimentação estranha e efetuaram disparos de alerta. Na portaria, funcionários também não obedeceram a ordem para a abertura do portão. Reivindicações Os detentos fizeram duas reivindicações para libertar os reféns: não queriam ser mandados para castigo em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) e pediram para receber visitas normalmente neste fim de semana. A tentativa de fuga do seqüestrador aconteceu na véspera do quinto aniversário da maior rebelião da história do País. Em 18 de fevereiro de 2001, detentos ligados à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) desafiaram as autoridades do sistema prisional paulista e realizaram um motim simultâneo em 29 presídios do Estado.

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