RN vai transferir mais 21 detentos para cadeias federais

Sem autorização da Justiça, deslocamento de presos que aconteceria nesta sexta foi adiado; Estado teve primeiro dia sem ataques após uma semana

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

05 de agosto de 2016 | 17h14
Atualizado 05 de agosto de 2016 | 21h25

O governo do Rio Grande do Norte tentou transferir nesta sexta-feira, 5, 21 presos da Penitenciária Estadual de Parnamirim (PEP), na região metropolitana de Natal, para presídios federais do Paraná, de Rondônia e de Mato Grosso do Sul. Os detentos chegaram a sair da cadeia e fazer exame de corpo de delito, mas, depois, voltaram para Parnamirim. Segundo o governo, a Justiça do Paraná ainda não havia liberado a transferência, o que deve ocorrer neste sábado, 6.

Nesta sexta, pela primeira vez desde a quinta-feira da semana passada, o Estado passou 24 horas sem registrar novos atentados de criminosos contra bens públicos. O Exército e a Marinha patrulham as ruas da capital, Natal, e outras cidades da região metropolitana.

O PEP, onde estavam os detentos, é o primeiro do Estado a receber bloqueadores de celulares. A instalação dos aparelhos é uma das causas para a onda de ataques que aconteceram em 38 municípios do Estado. O grupo estava entre os 30 presidiários que haviam sido interrogados na quinta por suspeita de ter provocado um motim no presídio, quando as Forças Armadas já estavam no Rio Grande do Norte.

O acesso ao presídio, por uma estrada de terra de dois quilômetros, é feito sem nenhum esquema especial de segurança. Sábado é o primeiro dia de visitas de familiares dos detentos desde o motim da quarta-feira passada.

A Secretaria de Justiça do Estado não informou se os detentos que seriam transferidos são integrantes da facção Sindicato do Crime, grupo que, de acordo com a polícia, vinha organizando os ataques. 

‘Tranquilidade’. O governador Robinson Faria (PSD) afirmou nesta sexta que “a tranquilidade já voltou às ruas” do Rio Grande do Norte, mas ele ainda espera que o governo federal amplie o prazo de permanência dos militares no Estado.

“Precisamos de uma grande mobilização, com o Tribunal de Contas, o Ministério Público e a Justiça, para instalar os bloqueadores em todos os presídios”, afirmou. A ação, que não tem prazo, ainda tem a viabilidade técnica questionada por integrantes do governo.

A polícia do Estado divulgou nesta sexta a prisão de mais cinco pessoas suspeitas de ligação com os atentados. Em Macaíba, a 14 quilômetros da capital, Palmério Araújo de Oliveira, de 25 anos, que teve queimaduras nos braços, pernas e tórax e estava à procura de atendimento médico quando foi detido, confessou o crime, informou, em nota, a Secretaria de Segurança.

O detido estava sendo procurado após um adolescente, apreendido na terça-feira, citá-lo como participante dos atos.

Com o Exército nas ruas, a volta para casa dos moradores da capital nesta sexta foi mais tranquila. A rede de ônibus operou normalmente, embora, segundo a imprensa local, a saída dos coletivos das garagens pela manhã ainda foi feita sob escolta particular. No fim da tarde, entretanto, já não havia informações nos pontos sobre recolhimento da frota mais cedo, como vinha acontecendo. “Pode escrever no seu jornal que o turista já pode voltar para Natal”, disse a balconista Renata Ferreira, de 19 anos, enquanto aguardava um coletivo no centro da cidade, nesta sexta.

 

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