Detetive acusado de matar modelo diz que é bode expiatório

O detetive particular Reinaldo Pacífico de Oliveira Filho, acusado de matar a ex-namorada e modelo Cristiana Aparecida Ferreira, em agosto de 2000, num flat de Belo Horizonte, negou o crime e disse que fugiu porque temia por sua segurança pessoal.?Eu me mantive em situação de autodefesa, de segurança pessoal?, afirmou. ?Eu estou sendo acusado de um crime que não pratiquei. Eu não matei a senhorita Cristiana, não sei nada em relação a isso, nunca estive no hotel onde ela faleceu?.Ao ser preso, o detetive Pacífico disse que ?com certeza absoluta? está sendo usado como ?bode expiatório?. ?Eu não devo. Estou sendo envolvido, emaranhado por essa situação.? Ele disse que não poderia apontar quem teria interesse em envolvê-lo na morte da modelo.O detetive estava foragido desde fevereiro deste ano, quando a Justiça decretou sua prisão preventiva. Ele estava vivendo há cerca de dois meses na casa de uma família de evangélicos, na capital mineira. Mais gordo, com os cabelos maiores e barba crescida, o detetive vinha se apresentando como ?pastor Paulo? e, segundo agentes da PF, chegou a conduzir cultos na Igreja Universal do Reino de Deus.O detetive prestou depoimento nesta quinta-feira no 1º Tribunal do Júri do Fórum Lafayette. Pacífico poderá ser indiciado também por falsidade ideológica. Os advogados do detetive informaram que vão tentar um habeas-corpus.O detetive afirmou que sempre teve um bom relacionamento com Cristiana e não tinha motivo para matá-la. ?Eu terminei o meu relacionamento com ela em meados de 97. Daí o meu relacionamento com ela se rompeu. O que eu tinha por ela era carinho e respeito.?Cristiana foi encontrada morta no quarto de um flat em Belo Horizonte no dia 6 de agosto de 2000. Ela estava com 24 anos, e, na época, o inquérito da Polícia Civil concluiu que a modelo havia se suicidado tomando veneno para matar ratos. Em outubro do ano passado, a pedido da família de Cristiana, o Ministério Público Estadual reabriu o caso.Em três meses de investigações, os promotores ouviram cerca de 40 pessoas, entre elas políticos e autoridades do primeiro escalão do governo estadual da época que tiveram contato com a modelo. O MP encontrou indícios de adulteração e omissão de fatos no inquérito.O corpo de Cristiana foi exumado e o laudo comprovou que ela apresentava marcas de violência, e a causa da morte teria sido asfixia. O Ministério Público denunciou Pacífico como autor do crime.

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