Detetives controlavam online passos de empresário

A quadrilha acusada de quebrar sigilos bancário, fiscal e telefônico acompanhou em tempo real todos os passos de uma de suas vítimas. A constatação foi feita por policiais do Departamento de Investigações Sobre Crime Organizado (Deic) e promotores do Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gecep), do Ministério Público Estadual, que na quarta-feira deflagraram a Operação Spy 2 e desarticularam o esquema chefiado por detetives particulares e policiais civis paulistas.Nas interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça, os policiais flagraram o gerente Flávio Jacinto de Moraes, da Vivo, pedindo um favor à detetive Rosemeire Scrittore. Ele queria quebrar o sigilo telefônico e bancário de um empresário. Na conversa, Moraes diz que está fazendo um serviço para ganhar um dinheiro e que precisa saber onde seu alvo está. O vigiado era o empresário Antônio Bruno Di Giovanni Basso. O executivo disse saber que Basso estava em São Paulo porque a estação radiobase em que estava registrado o sinal do celular do empresário era do Itaim-Bibi, na zona oeste.Rosemeire conseguiu com a amiga Selma Giachetti, operadora do Banco Bankpar, o acompanhamento online de Basso por meio do uso que ele fazia do cartão American Express. Em um telefonema, ela recebe a informação de que, naquele momento, o alvo estava em um café no Shopping Iguatemi. Os investigadores ainda não sabem porque Basso foi "vigiado", mas desconfiam de cobrança de dívida ou espionagem industrial.O monitoramento da detetive começou porque os investigadores suspeitavam de que ela estivesse vazando nomes das pessoas que tinham os telefones interceptados por ordem da Justiça. Foi por causa da suspeita de participação de executivos das operadoras de telefonia que a polícia e a promotoria obtiveram na Justiça a expedição de mandados de busca e apreensão, cumpridos em setembro nas sedes das operadoras.Além do sigilo bancário, a organização tinha acesso às informações registradas no Infoseg, o sistema de dados criminais mantidos pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). O Gecep obteve autorização judicial para infiltrar um policial na organização criminosa por oito meses. O policial fez "curso de detetive particular" e passou a atuar no universo dos arapongas até descobrir como funcionava o acesso às informações sigilosas.

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