Detran aumentou limite em local de racha

Órgão manteve decisão apesar das críticas de engenheiros especialistas em trânsito

O Estadao de S.Paulo

13 Outubro 2007 | 00h00

No início do ano, o Departamento de Trânsito (Detran) de Brasília decidiu aumentar o limite de velocidade nas pistas do Lago Norte, na Avenida das Nações e na via que dá acesso à Ponte JK, onde o professor Paulo César Timponi participou do racha que causou três mortes no dia 6. O aumento da velocidade foi contestado por cinco engenheiros especialistas em trânsito: José Lima Simões, Joel Rodrigues, Danielle Valentini, Ivo Cláudio de Souza e Lianez Bastos Padilha. No dia 22 de março, eles encaminharam à direção do Detran estudo no qual lembravam que a Ponte JK e a Avenida das Nações eram as que tinham registrado maior número de acidentes com mortes no ano passado. Sugeriram que antes do aumento da velocidade fosse feito um estudo técnico. O diretor-geral do Detran, Délio Cardoso, no entanto, preferiu autorizar a mudança. A ONG Rodas da Paz contestou a decisão. Argumentou que, se no limite de velocidade de 60 km/h os motoristas já trafegavam a 70, com o novo teto, de 70, passariam a 80 km/h. Por intermédio de sua assessoria, o governador de Brasília, José Roberto Arruda (DEM), anunciou que vai tirar os agentes do Detran dos gabinetes e mandá-los para as ruas. Determinou que sejam feitos estudos sobre a prática recorrente dos rachas e a punição dos envolvidos nos pegas com a apreensão das carteiras de habilitação. Há ainda a intenção de pôr câmeras de TV na Ponte JK, que se transformou em pista de corrida nos fins de semana. O perfil do trânsito em Brasília está mudando. Apesar de suas pistas largas, a cidade já registra engarrafamentos, e não só nos horários de pico. O Eixo Monumental, por exemplo, também conhecido como Esplanada dos Ministérios, tem cerca de 7 quilômetros e liga a Rodoferroviária à Praça dos Três Poderes. As seis pistas de cada lado não evitam que os congestionamentos sejam freqüentes. A velocidade lá é de 60 quilômetros por hora, embora a direção do Detran tenha anunciado que a aumentaria para 70. Com 938 mil veículos registrados até agosto - quase 1 para cada 2 habitantes -, Brasília também enfrenta problemas sérios de falta de vaga para estacionamento. É praticamente impossível encontrar uma nas proximidades do Senado, da Câmara, do Palácio do Planalto, dos Ministérios e nos setores de maior movimento comercial.

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