Devedores de bicheiro terão de pagar R$ 200 mi à União

Devedores do bicheiro João Arcanjo Ribeiro, o Comendador, de 53 anos, acusado de chefiar o crime organizado em Mato Grosso, terão de pagar seus débitos. A determinação é da Justiça Federal, que autorizou a Procuradoria Geral da União (PGU) a fazer a cobrança esta semana, sob pena de apreender os bens de quem não quitar a dívida. Entre os 370 inadimplentes estão políticos, empresários e cidadãos comuns que, após a notificação, terão 10 dias para pagar os valores.Os empréstimos do primeiro lote superam R$ 3 milhões. São 472 cheques localizados em empresas de factoring (sociedades mercantins que compram cheques por valores mais baixos que os de face) de propriedade do bicheiro, preso no Uruguai desde abril de 2003. Pela decisão da Justiça, os devedores estão sendo tratados como se fossem correntistas inadimplentes de qualquer agência bancária.De acordo com a Justiça Federal, as factorings de João Arcanjo negociaram cerca de R$ 2 bilhões no período de 1995 a 2002. No total, a dívida a ser paga para a União pelos ex-devedores do bicheiro pode chegar a R$ 200 milhões. "Nós estamos fazendo um trabalho gigantesco para cumprir uma determinação da Justiça", disse o procurador-chefe da AGU em Mato Grosso, Cláudio Fim.O dinheiro arrecadado com as cobranças feitas aos ex-clientes do bicheiro será depositado numa conta aberta na Caixa Econômica Federal (CEF). Os recursos resgatados pela União deverão serão aplicados em projetos sociais ou em programas para combater o crime organizado e a lavagem de dinheiro no País.Arcanjo já foi condenado a 49 anos de prisão e ainda responde a processos por crime organizado, homicídios, formação de quadrilha, contrabando e evasão de divisas.Levantamento dos bens feito pelo juiz federal Julier Sebastião da Silva aponta que o patrimônio estimado do bicheiro é de R$ 2,4 bilhões. Os bens cadastrados - fazendas, apartamentos, salas comerciais, hotéis, casas e edifícios comerciais - estão indisponíveis desde o ano passado. O bicheiro pode ser extraditado este ano para o Brasil.

Agencia Estado,

02 de setembro de 2004 | 15h15

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.