JOSÉ PONTES LUCIO/ESTADAO
JOSÉ PONTES LUCIO/ESTADAO

'Deveria haver uma quarentena', diz professor de Ciência Política

Para especialista, interesse político é caminho natural entre sindicalistas; com policiais, no entanto, professor pede legislação diferenciada

Entrevista com

Cláudio Couto, Professor de ciência política FGV de São Paulo

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

11 Março 2017 | 18h42

SÃO PAULO - Policiais parecem se candidatar, e se eleger, com frequência cada vez maior. Críticos apontam oportunismos a partir de movimentos grevistas. O que há de legítimo nesse tipo de candidatura?

Em toda categoria profissional é natural que, na articulação dos interesses profissionais e corporativos, se busque caminhos dentro das instituições políticas. Sindicalistas fazem isso com frequência e Lula é o caso mais exemplar. Isso ocorre porque se enxerga nesse caminho o meio natural para encaminhamento das reivindicações da sua classe. Isso ocorre com sindicalistas do magistério e da área da Saúde, por exemplo. Não seria, desse ponto de vista, diferente do que ocorre com integrantes das corporações de segurança. 

E no que difere?

O que existe de peculiar é que não está se falando de qualquer categoria profissional. É uma categoria que sequer tem direito de sindicalizar, e faz o sindicalismo de forma não oficial por meio dos associações e parentes. A questão principal é: faz sentido que grupos que usam do monopólio da violência oficial do Estado lancem mão disso como instrumento para forçar negociações e, com elas, catapultar voos para a política? Talvez fizesse sentido que existisse uma espécie de quarentena com um intervalo permitido para que o policial pudesse se candidatar após eventos como esses. Isso seria um atenuante ao uso da função pública para atingir cargos políticos. 

O que ajuda a explicar um maior número de policiais como parlamentares?

Não é de hoje que a segurança é um tema sensível e os candidatos dessa área são bem sucedidos há muito tempo, vide os casos de Conte Lopes e Erasmo Dias. Até aí, nenhum problema. Mas vivemos nesse momento uma guinada conservadora e candidatos vinculados a essa agenda, que geralmente tem orientação à direita, estão se beneficiando e aparecendo com mais frequência no processo eleitoral. 

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