''Deveria ter ao menos 400 km''

Arquiteta, autoridade no transporte com bicicletas, defende expansão das ciclovias na cidade e o aumento dos bicicletários

O Estadao de S.Paulo

26 de julho de 2008 | 00h00

Coordenadora do Pró-Ciclista na Secretaria do Verde e Meio Ambiente, a paulistana Laura Ceneviva, arquiteta de 54 anos formada pelo Mackenzie, é a maior autoridade no assunto, na cidade - embora um problema muscular a impeça hoje de pedalar. "Já fui daquelas de ficar com calo na mão por causa do guidom", diz.A sociedade entende a função da bicicleta como transporte?Não. Há uma dificuldade de fazer essa transição por uma questão cultural, que privilegia o automóvel. Somos filhos de uma sociedade baseada no petróleo. Montamos um grupo de estudos na Prefeitura, reunindo os órgãos ligados ao transporte, e a única discussão que não andou foi a do transporte não motorizado. E as ciclovias?A cidade teria de dispor de bem mais. Jamais daria certo, como na Avenida Sumaré, uma ciclovia que não pense no pedestre. O Brasil inteiro tem 2,5 mil quilômetros de ciclovias, e nós sugerimos ao então prefeito José Serra que São Paulo fizesse ao menos 5% disso, o que equivale a 125 quilômetros. Elas estão saindo aos poucos. Para haver um uso maior de bicicletas, é preciso ter possibilidades de circulação e de estacionamento, além de conscientização do ciclista de que ele também é um condutor, portanto precisa respeitar as leis. É necessário investir em ciclorredes e ciclofaixas. Se a ciclovia for malfeita, ninguém a usará.Há avanços?O projeto Clube Escola de Ciclismo, parceria da Prefeitura e da Federação Paulista de Ciclismo, que está formando jovens ciclistas, e o aumento dos bicicletários. E quais são os planos do Pró-Ciclista?Levando em consideração o tamanho da cidade, imaginamos que deveria ter ao menos 400 quilômetros de ciclovias. Estamos preparando um projeto bem mais ambicioso, que prevê, a partir de 2010, construção de 1 mil quilômetros de vias protegidas para ciclistas.Já sentiu sua dedicação valer a pena?Uma vez, participei de uma reunião dos vários órgãos. Nela, falei que havia uma quantidade enorme de ciclistas na cidade, para a surpresa de muitos técnicos. Um deles me surpreendeu: voltou para casa fotografando todos os ciclistas que viu no caminho. Quando chegou no dia seguinte, mostrou as fotos. Fiquei muito contente.

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