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'Problemas acontecem', diz Bolsonaro sobre presos mortos em transferência

Presidente afirma ainda que sonha com presídio agrícola no País e trabalho forçado 'para esse tipo de gente'

Mariana Haubert, enviada especial a Anápolis

31 de julho de 2019 | 13h15
Atualizado 31 de julho de 2019 | 15h34

ANÁPOLIS - O presidente Jair Bolsonaro (PSL) defendeu nesta quarta-feira, 31, o trabalho forçado para presos no Brasil. Ele ponderou que a Constituição proíbe tal penalidade, mas disse que é seu "sonho" a existência de presídios agrícolas no País. Ele também afirmou que os quatro presos que estariam envolvidos no massacre de Altamira, no sudoeste do Pará, e que foram mortos na noite desta terça-feira, 30, por sufocamento dentro do caminhão-cela que os transferia para unidades de Belém morreram porque "com toda certeza, deviam estar feridos". Segundo o presidente, "problemas acontecem".

"Porque uma ambulância, quando pega uma pessoa até doente no caminho, ela pode vir a falecer. O que eu pretendo fazer? Problemas acontecem, está certo?", disse Bolsonaro ao fim de uma cerimônia em que assinou o contrato de concessão de trechos da Ferrovia Norte-Sul na cidade de Anápolis, em Goiás. "Vou conversar com o ministro (Sergio) Moro (titular da Justiça e Segurança Pública) nesse sentido."

O presidente afirmou ainda ter pena dos familiares das vítimas do massacre e defendeu que haja mais "autoridade" em cima dos presos.

"A gente espera que seja resolvida essa questão. Se a gente pudesse obrigar o trabalho, mas se pudéssemos ter uma autoridade em cima do presidiário, como o americano tem, seria muito bom para nós", afirmou.

Perguntado ainda sobre se haverá ajuda federal para o caso, Bolsonaro afirmou que já existe o fundo penitenciário.

Com o assassinato desses quatro presos, o número de vítimas do massacre do Centro de Recuperação Regional de Altamira subiu para 62 pessoas, maior chacina relacionada a presídios do País neste ano

Sobre seu desejo de que haja trabalho forçado nas unidades prisionais, o presidente avisou que não irá "forçar a barra".

"Eu sonho com um presídio agrícola. É cláusula pétrea, mas eu gostaria que tivesse trabalho forçado no Brasil para esse tipo de gente, mas não pode forçar a barra. Ninguém quer maltratar presos nem quer que sejam mortos, mas é o habitat deles, né?", disse.

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