Devolvidas notas furtadas de museu

Dois colecionadores devolveram na última semana parte das 889 peças furtadas do setor de moedas antigas do Museu do Ipiranga, em São Paulo, avaliadas em R$ 100 mil. Eles procuraram a polícia assim que o museu liberou a numeração das cédulas levadas e se certificaram do crime. Os colecionadores compraram o material há mais de três meses - a administração do Ipiranga só se deu conta do golpe em 6 de agosto. "Isso prova que as peças não foram furtadas de uma vez. Trata-se de um crime continuado, que já vinha ocorrendo havia meses", disse o titular do 17º DP, Marcio Bicudo Tosatti, responsável pela investigação. "Continuamos suspeitando dos funcionários e também de estagiários que trabalharam no museu e não estão mais lá." O primeiro colecionador comprou 16 cédulas nacionais, de 5 mil a 200 mil réis, e pagou R$ 300 por elas, na feira de fim de semana da Praça Benedito Calixto, na zona oeste. O outro gastou R$ 4 mil em cinco medalhas, ações da Companhia Paulista de Estrada de Ferro, bônus do Tesouro do Estado e 38 cédulas de 500 réis a 100 mil réis, compradas no centro. Ao todo, o material representa menos de 10% do que foi levado do Ipiranga, mas deixou o delegado com expectativa de mais colaborações. "O catálogo do que foi furtado foi disponibilizado no site da Sociedade Numismática Brasileira, na quinta-feira, e duas pessoas já devolveram o que tinham por iniciativa própria", justificou. "O material tem valor histórico, mas no mercado não vale tanto e não há interesse de um colecionador em ter um material com número de série furtado." Segundo o delegado, o suposto vendedor do material foi descrito da mesma forma pelos dois colecionadores. A fisionomia não coincide com nenhuma foto dos funcionários suspeitos. "Sinal de que alguém de fora participou do crime." Tosatti disse que mantém uma equipe fixa investigando o caso, desde a abertura do inquérito, e já ouviu todos os funcionários, avaliou as imagens da câmera cedidas pelo museu e fez buscas nas casas dos suspeitos, mas não encontrou nada relativo aos furtos.

Rodrigo Pereira, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2012 | 00h00

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