Devotos lotam capela no dia de Santo Expedito

Depois de atravessar um corredor infestado de pedintes mutilados com doenças de toda sorte, mendigos com feridas nas pernas cobertas de moscas e mães de deficientes implorando por moedas, a aposentada Ema Sangelli, flor de papel e imagem de Santo Expedito nas mãos, entrou na fila que levava à capela onde fica a estátua de madeira maciça de 600 kg do padroeiro das causas urgentes, na Rua Jorge Miranda, bairro da Luz, Centro da Cidade."Vim agradecer por estar viva. Nessa cidade a gente sai e não sabe se volta. O brasileiro é mal acostumado, gosta de pedir e pedir. Quando recebe, nem se lembra de agradecer", diz a devota de 75 anos, que há pelo menos 50 festeja o dia do santo. "Tudo o que eu peço, Santo Expedito dá. Dois anos atrás, minha nora arrumou emprego graças a ele", disse."É a segunda vez que eu faço essa fila. Por mim passava uma hora na igreja, mas não estão deixando. Uma pena", lamentava o protético João Dias Pereira, 27 anos, que teve "a vida salva" por Santo Expedito. "Andei com más companhias durante anos e cheguei a ser preso quando moleque. Mas minha mãe orou tanto que estou aqui, fazendo fila para rezar. Quem me conheceu achou que isso era impossível."Apesar do grande número de fiéis, a PM não registrou ocorrências graves. Quem reclamou foram os pedintes que, a despeito da multidão, acharam o dia "fraco".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.