Dez deputados terão avião da FAB para voltar para casa

Em meio à crise dos aeroportos que está infernizando o feriado de milhares de brasileiros, cerca de dez deputados do Nordeste, que ficaram em Brasília para concluir a votação do Orçamento de 2007, terão o privilégio de voltar para casa em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). Os aviões foram requisitados pela Câmara para garantir a presença dos parlamentares nas votações finais na Comissão de Orçamento e no plenário do Congresso.A votação deveria ocorrer nesta quinta-feira, 21, mas foi adiada porque foi necessário fazer ajustes no texto, em virtude da mudança no valor do salário mínimo de 2007, de R$ 375 para R$ 380. O texto normalmente é votado simbolicamente, por acordo, sem verificação de quórum, e a maior parte dos parlamentares já deixou Brasília. Um grupo de deputados que apresentou emendas, entretanto, decidiu acompanhar as discussões da Comissão Mista até o final e acabou perdendo os vôos já marcados. Vários deles não conseguiram vaga nesta sexta-feira e, por isso, recorreram ao presidente da Comissão, deputado Gilmar Machado (PT-MG)."Eles perderam a passagem e, sem isso, não têm como voltar para suas bases", justificou o petista, que fez o pedido para a FAB.Segundo ele, a Força Aérea vai colocar pelo menos dois pequenos aviões à disposição dos parlamentares. Todos são do Nordeste. Cada um faria um itinerário diferente, fazendo escalas nas cidades de domicílio dos deputados. Machado ressaltou que o procedimento não é ilegal, já que integrantes de outros poderes, como ministros do Executivo e do Judiciário, também usam aviões da FAB. Além disso, a Câmara vai pagar o custo da viagem dos deputados.Vários deputados que deixavam, nesta quinta-feira, a cidade de Brasília criticaram a iniciativa de recorrer aos aviões da FAB. "Acho que, uma vez cumprido nosso trabalho, devemos passar pelas mesmas dificuldades por que passam todos. Avião da FAB não deveria ter essa função", disse o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), por telefone, às 20h30, do aeroporto de Brasília, onde esperava, há mais de cinco horas, para embarcar para o Rio.

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