Dez mil comemoram vitória da Beija-Flor; Tijuca faz festa improvisada

Mais de 10 mil pessoas comemoram o título de campeã do carnaval carioca de 2004 na quadra da Beija-Flor de Nilópolis, com gritos exaltando o bicampeonato e hostilizando a escola de samba Mangueira. Muita gente comemora do lado de fora. A diretoria da escola de samba comprou 72 mil latas de cerveja para a festa. A primeira porta-bandeira da escola, Telma Lage, a Selminha Sorriso, que desfila há 13 anos, disse que foi o seu melhor carnaval - ela está há nove anos na Beija-Flor, depois de passar pela escola de samba Estácio de Sá. "Foi o melhor desfile da minha vida. Me preparei durante quatro meses, com musculação, e isso foi importante para enfrentar aquela chuva, porque a fantasia ficou três vezes mais pesada", afirmou.Intercalando o samba vitorioso com outras músicas da escola, o locutor que comandava a festa incentivou o público a hostilizar a concorrente Mangueira, que ficou em terceiro lugar. "Ei, alguém aí viu a Mangueira entrar?", perguntava o locutor, entre gritos de "É bicampeã" e exaltações ao presidente de honra, o bicheiro Aniz Abrahão David.Tijucanos em festaNa vice-campeã Unidos da Tijuca, a festa foi improvisada, já que nem a direção da escola acreditava na boa colocação. Não havia festa prevista na sede da escola, no Borel, mas os tijucanos tomaram as ruas do morro e improvisaram a comemoração, enquanto a diretoria da escola providenciava a cerveja. "Sabíamos que tínhamos feito um grande desfile. Mas estávamos brigando com escolas grandes, como Mangueira e Viradouro. Foi uma surpresa para todo mundo e estamos muito felizes", disse Luiz Calipso Monteiro, o Casagrande, diretor de bateria da escola. "Viemos para ganhar, mas recebemos de bom grado o vice-campeonato", disse o presidente da Unidos da Tijuca, Fernando Horta.Esse segundo lugar foi a melhor colocação da escola. Antes, a melhor posição havia sido o 5º lugar de 2001, quando apresentou enredo sobre a história do Brasil. A Tijuca deve o segundo lugar à criatividade do carnavalesco Paulo Barros, de 41 anos, que desenvolveu enredo sobre a ciência. O carro "Criação da Vida", em que os componentes pintados de azul metálico formavam a própria alegoria, encantou o público na Marquês de Sapucaí. "O grande segredo foi fugir da fórmula usada por todos para fazer o carnaval. Foi brincar com o inusitado", disse Barros, que estreou no Grupo Especial, depois de 10 anos como carnavalesco de escolas do Grupo de Acesso. Ele contou com a consultoria da Casa da Ciência da Universidade Federal do Rio de Janeiro para dar maior credibilidade ao desfile.

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