Dez milhões ainda devem definir o voto

A repercussão do debate presidencial de domingo na TV Bandeirantes, o tom com que ele for tratado no rádio, na mídia, nos telejornais, cria uma importante correia de transmissão entre os eleitores - e essa avaliação, tanto quanto o desempenho de cada candidato, pode, segundo especialistas, influir nos votos e alterar o quadro eleitoral."O debate criou a temperatura suficiente para atrair um grande número de eleitores. Ele não deverá ser medido só pela audiência, mas pelo impacto que tem em seguida", diz Mauro Paulino, diretor do instituto Datafolha.Como ele, o diretor do Cepac, Rubens Figueiredo, acha que é possível que a postura firme, agressiva, de Alckmin, possa causar algum impacto. "Como Lula teve 50% e Alckmin 43% no primeiro turno", diz ele, "temos apenas 7% de indecisos. Mas há outros 7% que admitiram que podem mudar seu voto. Já falamos aí de 14%, coisa de mais de 10 milhões de eleitores", calcula. É claro que o debate sozinho não basta, avisa Figueiredo, "mas ele pode ser complementado pelos candidatos com outras ações dentro da campanha".Mauro Paulino lembra, também, que Alckmin já vinha subindo e Lula perdendo eleitores nos últimos dias do primeiro turno. Mas ele diz que é necessário aguardar as pesquisas (que o Datafolha já está fazendo), para avaliar o impacto do debate.O diretor do instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, é mais cauteloso. Acha que o tucano "esteve um pouco melhor, mas precisava ter-se saído muito melhor". Só algo extraordinário, diz ele, poderia alterar o quadro atual, e isso não chegou a acontecer. O que prevalece "é a identificação do eleitor com seu candidato, depois de cinco meses de campanha e um intenso processo de decisão".Coimbra avaliou 102 casos de segundo turno desde sua criação, em 1989, e constatou que em apenas um deles houve uma alteração dramática do quadro - foi quando Célio de Castro (PSB) venceu Amilcar Martins, na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte, em 1996.

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