Dezesseis PMs reintegrados no Rio são expulsos de novo

Depois de passar uma semana analisando 65 processos de policiais militares que haviam sido excluídos da corporação sob acusação de crimes como homicídio, tortura e roubo e foram reintegrados posteriormente, a Secretaria de Segurança Pública do Rio decidiu expulsar 16 deles, sem direito a novo recurso. Outros 21 casos serão revistos, entre eles os de cinco PMs envolvidos na chacina de Vigário Geral.Durante a análise, a assessoria jurídica da secretaria descobriu que dois policiais já estavam fora da corporação. Dos 63restantes, 26 não podiam ser excluídos, por terem sido reintegrados por decisão da Justiça. Dezoito serão submetidosnovamente a um conselho de disciplina. Três processos serão apreciados pessoalmente pelo secretário Anthony Garotinho, quebaixou hoje ato administrativo detalhando, caso a caso, as medidas a serem tomadas. Ele disse que as 21 revisões deverãoser feitas no período de um mês. Entre os 16 PMs que não poderão recorrer da decisão, estão o argento Osmar Coelho Silva Juniror, os cabos Sandro Mendonçade Oliveira e Benísio Pereira da Silva e o soldado Enaldo Elber Clemente Cabral, que foram filmados agredindo e humilhandomoradores da Favela Parada de Lucas, em 1996.Os soldados Hélio Vilares Guedes e Jamil José Sfair Neto e os sargentos Eduardo José Rocha Creazola e Pedro Flávio daCosta, acusados de participação na chacina de Vigário Geral e absolvidos pela Justiça por falta de provas, terão de se submeter ao conselho, já que, como os processos disciplinar e judicial correm independentemente, o fato de não existir evidências para condená-los não significa que o mesmo ocorre na esfera administrativa.O caso do soldado Luiz Carlos Pereira Marques também será avaliado novamente, apesar de ele já ter morrido ? seus herdeiros serão os beneficiados com a reintegração, pois receberão pensão.A maior parte das 65 reintegrações ? ocorridas em 2003 ? tinha sido por decisão do comandante-geral da PM, coronel RenatoHottz. Garotinho afirmou hoje que tinha sido informado de que havia problemas nos processos 40 dias atrás, antes de asprimeiras notícias começarem a surgir nos jornais, e que mandou a Subsecretaria de Inteligência apurar o que havia ocorrido.Apesar de ter errado, Hottz não deverá ser punido, já que foi induzido ao erro, segundo Garotinho, por dois antigos corregedores da PM, os coronéis Hudson de Melo e Ipurinan Calixto, que já foram afastados dos cargos. Hottz foi orientado a submeter todos os casos de reinclusão à assessoria jurídica da secretaria a partir de agora, com exceção daqueles ordenados pela Justiça.

Agencia Estado,

23 de janeiro de 2004 | 18h17

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