DHPP diz que esclareceu mortes dos prefeitos do PT

Os assassinatos dos prefeitos de Campinas, Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, e de Santo André, Celso Daniel (PT), não têm ligação entre si, não tiveram motivação política e foram praticados por duas quadrilhas de criminosos comuns. Os prefeitos tiveram apenas o azar de estar no local errado na hora errada. Esta versão para os crimes foi apresentada pelo diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Domingos Paulo Neto, responsável pelas investigações. Paulo Neto afirmou, durante entrevista coletiva convocada para apresentar os laudos do Instituto de Criminalística (IC) sobre os casos, que os crimes "já estão praticamente elucidados".Laudos técnicos do caso de Daniel confirmaram que duas impressões digitais de Itamar Messias dos Santos Neto foram encontradas no vidro, do lado do motorista, na Mitsubishi Pajero onde o prefeito se encontrava quando foi seqüestrado. Itamar está foragido e é um dos integrantes da quadrilha que agia na Favela do Pantanal, zona sul, apontada como responsável pelo seqüestro de Daniel.Outro laudo apresentado comprovou que houve contato entre a Pajero onde estava Daniel e uma perua Chevrolet Blazer, encontrada na Favela do Pantanal. Paulo Neto revelou que várias testemunhas, ouvidas nas últimas semanas, confirmaram que a Blazer era utilizada pelos integrantes da quadrilha. A Pajero onde se encontrava Daniel foi abordada por uma Blazer e por um Volkswagen Santana.O Santana ainda não foi encontrado, mas o delegado disse hoje que o automóvel foi visto circulando pela favela com integrantes da quadrilha. Além destas, Paulo Neto disse que existem outras provas testemunhais da participação da quadrilha no crime. Testemunhas teriam ouvido alguns dos integrantes do bando contando sobre o seqüestro, entre a noite de 18 de janeiro quando Daniel foi pego e o dia 20, quando ele foi morto.O delegado contou ainda que, na noite do dia 30 de janeiro, quando a polícia paulista já estava mobilizada para elucidar o crime, sete integrantes da quadrilha foram vistos saindo de mochila da favela. "Todos os fatos e as provas apontam para a quadrilha da Favela do Pantanal", disse Paulo Neto. Ele não quis antecipar a motivação do crime. "Primeiro, precisamos prender e ouvir todos os integrantes do quadrilha", afirmou ele. "Mas a motivação política está praticamente excluída."O delegado divulgou os retratos de mais três supostos integrantes da quadrilha que teriam agido no seqüestro de Daniel. São eles: Antônio Carlos Pereira Santos, o "Legal", de 27 anos; Elcyo Oliveira Brito, o "John", 23 anos; e Deivid dos Santos Barbosa, o "Sapeco", de 20 anos. Sapeco, de acordo com o delegado, foi preso hoje em São Paulo e deverá ser ouvido nas próximas horas.Já estão presos Andrelisson Rodrigo dos Santos de Oliveira, o "Cara Seca"; Manoel Dantas de Santana Filho, o "Cabeção"; e o menor identificado como "Kit". Dos três, apenas Cara Seca teria participado do seqüestro de Daniel. São procurados ainda Juscelino da Costa Barros, o "Cara de Gato"; Mauro Sérgio Santos de Souza, o "Serginho"; Deivison Cristiano Correia, o "Alemão", 22 anos, fugitivo da Cadeia de Diadema e Ivan Rodrigues da Silva, o "Monstro".

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