DHPP tem "100%" de certeza de que Carla matou Ubiratan

A polícia não tem mais dúvidas: a advogada Carla Prinzivalli Cepollina, de 40 anos, matou o coronel e deputado estadual Ubiratan Guimarães. ?O caso está 100% esclarecido. Tenho convicção absoluta de que foi Carla Cepollina a autora do crime?, afirmou nesta terça-feira, 26, o delegado Armando de Oliveira Costa Filho, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Na noite de segunda-feira, 25, a polícia prendeu em flagrante a mãe de Carla, a também advogada Liliana Prinzivalli, sob a acusação de posse irregular de três armas de fogo.A principal prova contra Carla é o horário do crime. Por meio de laudos, testemunhos e provas materiais, a polícia chegou à conclusão de que Ubiratan foi morto entre 19 horas e 19h30 do dia 9, um sábado. Por meio da análise das ligações atendidas por Carla no apartamento do coronel, nos Jardins, zona sul, a polícia tem como provar que ela estava no imóvel até as 20h26.Quem desmontou o álibi de Carla foi a própria acusada. A advogada, que mantinha um relacionamento com o coronel, disse que Ubiratan estava vivo quando ela deixou o prédio naquela noite. Admitiu que havia atendido a dois telefonemas que a delegada federal Renata Madi havia feito naquela noite para a vítima.O primeiro telefonema, para o celular de Ubiratan, aconteceu às 19h03. O segundo, para o telefone fixo do coronel, ocorreu às 20h26, quando, para a polícia, a vítima já estava morta. Desta segunda vez, Carla disse que o coronel estava dormindo e por isso não podia chamá-lo. Além disso, um laudo da perícia mostrou que Ubiratan tinha comida no estômago. Como a digestão demora no máximo seis horas e a última refeição do coronel havia ocorrido às 14h30, ele já estava morto às 20h30. Carla nega o crime e alega que não há provas contra ela. Mas será formalmente indiciada nesta quarta-feira, 27, por homicídio duplamente qualificado - o crime foi praticado por motivo torpe e ela usou recurso que impossibilitou a defesa da vítima. A advogada vai ser fotografada e terá suas digitais colhidas, procedimentos obrigatórios para acusados de homicídios dolosos por meio da Lei 10.054, de 2000.Atuada em flagrante, Liliana, que desde o crime acompanha a filha a todos os depoimentos, pagou fiança de R$ 800,00 e foi solta. Isso só ocorreu porque a as armas achadas em seu apartamento eram de posse permitida a particulares, apesar de estarem com registro irregular. O Portal Estadão.com.br procurou Liliana à tarde, mas não obteve resposta.As armas foram encontradas durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão no apartamento onde as duas moram, na Rua Zacarias de Goés, no Campo Belo, zona sul. Os investigadores estavam atrás de novas evidências que comprovassem as provas já reunidas contra Carla. Os peritos levaram um canhão especial que aplica luz sobre roupas ou superfícies e pode revelar vestígios de sangue e pólvora. Algumas roupas da advogada que pareciam apresentar essas características foram recolhidas para análise. A decisão de fazer a busca foi tomada depois que uma empregada doméstica ouvida pela polícia disse que viu uma calça e uma blusa de Carla com manchas vermelhas depois do assassinato.Mas mesmo que os exames nas roupas apreendidas dêem negativo, isso não vai alterar a convicção dos responsáveis pelo inquérito de que Carla matou Ubiratan. ?Queremos só robustecer a prova, mas o DHPP já está absolutamente seguro. Temos um conjunto probatório muito coeso. Nada de novo que possa vir do IC poderá alterar a convicção absoluta de ser Carla Cepollina a autora do homicídio?, disse Costa Filho.As armas apreendidasDurante a busca, os policiais acharam três armas no apartamento: dois revólveres calibre 38 e uma pistola 7,65 mm. A carabina, conforme o boletim de ocorrência do caso, estava no ?quarto de objetos privativos do apartamento?, na garagem.Um dos revólveres e a pistola estavam registradas em nome do pai de Liliana, já falecido, e a carabina estava em seu nome, mas não havia sido recadastrada. Assim, as irregularidades levaram à decisão da polícia de deter a mãe. Contrariada, Liliana foi levada presa ao DHPP.A quarta arma - o outro revólver - estava registrada legalmente, mas também foi levada pela polícia para exame, por ser do calibre 38, o mesmo usado para matar Ubiratan. Os exames são apenas uma precaução do DHPP. ?É absolutamente improvável que alguma dessas armas tenha sido usada no crime?, afirmou o delegado.Nesta terça-feira, a polícia ouviu novamente os depoimentos de quatro testemunhas importantes do caso. Era necessário esclarecer pontos dos depoimentos já prestados. Entre essas pessoas estavam funcionários do prédio do coronel. Após o indiciamento de Carla, o inquérito será relatado pelo DHPP e enviado ao Ministério Público Estadual (MPE). Com base nas provas, o MPE decidirá se oferece ou não denúncia contra ela. Se isso ocorrer, será a vez de a Justiça determinar se abre processo contra Carla e decidir, depois de colher provas e depoimentos, se ela irá à júri popular.O advogado Antônio Carlos Carvalho Pinto, que assumiu às 23 horas de domingo a defesa de Carla, afirmou que não viu até agora nenhuma prova contundente contra sua cliente.

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