Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

Dia de ''famosos'' e encontros históricos

Na abertura do Legislativo, celebridades se encantam com nova rotina, velhos rivais se reencontram e protocolos são quebrados

, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2011 | 00h00

A posse dos novos parlamentares ontem em Brasília teve momentos de tietagem explícita, quebra de protocolo (literalmente) e o encontro histórico do ex-presidente Fernando Collor com o ex-líder estudantil Lindberg Farias.

A tietagem foi motivada pela quantidade de "celebridades" que passaram a ocupar uma vaga no Congresso. A partir de hoje, o eleitor que sintonizar a TV Câmara poderá ver a atuação de um elenco de famosos, que inclui um palhaço, Tiririca, um ex-jogador de futebol, um vencedor do programa Big Brother Brasil (BBB) e um ex-campeão do mundo de boxe.

Porém, empossados com aplausos, fotos e assédio dos fãs, os estreantes correm o risco de ter a sina de outros artistas que no palco do Congresso chegaram como estrelas e terminaram como meros coadjuvantes.

Tomaram posse como deputado federal o palhaço Tiririca (PR-SP), o ex-jogador Romário (PSB-RJ), o vencedor do Big Brother Brasil Jean Wyllys (PSOL-RJ) e o ex-pugilista Popó (PRB-BA).

A experiência mostra que nem sempre os famosos se transformaram em bons deputados. Há mais resultados negativos do que positivos. Um dos principais exemplos é o do cantor Agnaldo Timóteo. Eleito em 1982 pelo PDT com a maior votação do Rio de Janeiro, Timóteo decepcionou. Traiu o PDT, migrou para o PDS e votou em Paulo Maluf para a Presidência, no Colégio Eleitoral. Na eleição de outubro, tentou voltar à Câmara por São Paulo. Obteve apenas 25.174 votos, ficando na 156ª posição.

Na legislatura passada, o costureiro Clodovil chegou à Câmara como um campeão de votos. Desapareceu gradualmente. Entre os 513 deputados, pouco mais de 50 se destacam. O mundo político é muito mais dos conchavos e negociações, coisa que as estrelas parecem ter dificuldades para perceber.

Protocolo. A determinação da Câmara foi explícita: "Indica-se para as mulheres tailleur (blazer e saia) ou vestidos e sapatos social". Nada de calças, portanto, na posse. Foram vetados ainda jeans, tênis e sandálias rasteiras. Ainda assim, a neófita Bruna Furlan (PSDB-SP), 27 anos, driblou o protocolo. Manuela D"Ávila (PC do B-RS) e Rose de Freitas (PMDB-ES) também optaram por terninho e calça.

As mulheres puderam frequentar a Câmara vestindo calças a partir de 1979, quando uma resolução derrubou a obrigatoriedade de saias e vestidos nas dependências da Casa. No plenário, porém, as calças femininas continuavam proibidas - o que só mudou em 1982. O Senado foi mais conservador: a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL), eleita em 1998, foi a primeira a vestir calça no plenário. Já na posse ostentou um vestido.

Encontro histórico. No Senado, Lindberg Farias (PT-RS) tomou posse e encontrou o colega Fernando Collor (PTB-AL). Em 1992, o primeiro era presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e comandou o "Fora Collor", que ficou conhecido como movimento dos "cara-pintadas". As manifestações lideradas pelo petistas em todo o País foram determinantes no impeachment do então presidente. Ontem, no entanto, ambos foram cordiais e simpáticos ao trocarem cumprimentos no Senado.

Também no Senado estava o ex-presidente Itamar Franco, que era vice de Collor e assumiu a Presidência da República.

A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT) foi um dos destaques da posse no Senado. Relembrando antigas bandeiras de sua passagem pela Câmara, ele prometeu colocar a união civil de pessoas do mesmo sexo na pauta da tradicional Casa.

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