Dia de inflar o ego do PMDB paulista

Presidente elogia Wagner Rossi e cita Chalita

Fernando Gallo, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2011 | 00h00

No momento em que o vice-presidente Michel Temer reestrutura o PMDB em São Paulo, a presidente Dilma Rousseff trocou ontem gentilezas e afagos públicos com ele e o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, após semanas de tensão entre peemedebistas e o Executivo.

A presidente também fez uma deferência especial ao neofiliado à sigla, deputado federal Gabriel Chalita, cotadíssimo para concorrer à vaga de prefeito nas eleições de 2012. Foi o único dos parlamentares presentes a ser saudado com um "meu querido companheiro".

Dilma visitava Ribeirão Preto, o principal polo do agronegócio paulista, poucas semanas após o PMDB ter se rebelado e votado o Código Florestal na contramão do que defendia o governo.

Nenhum sinal de mágoas ou suscetibilidades feridas. Ao contrário. O peemedebista Rossi, ele próprio ribeirão-pretano e cacique político da região, foi a grande figura do evento, e não economizou elogios a Dilma - a "querida presidenta".

Em uma fala de 35 minutos em que misturou um discurso por vezes inflamado em defesa da agricultura e momentos de comédia stand-up que divertiram a presidente, Rossi exaltou por diversas vezes a figura de Dilma. Ao se referir ao lançamento do programa Minha Casa, Minha Vida 2, ocorrido anteontem, o ministro afirmou que Dilma "acolhia com a generosidade do coração" famílias que durante anos sonhavam com a casa própria.

Rossi também afirmou que a presidente "tem sido de uma solidariedade extraordinária com o setor produtivo", e que foi a orientação dela que permitiu "os avanços que tivemos com a discussão do Código Florestal". Sobre as mudanças feitas na Câmara, o ministro foi enfático: "Tenho certeza de que o Congresso saberá corrigir os arroubos de um processo que foi equivocado". Durante algumas das piadas feitas por Rossi, Dilma riu e cochichou ao ouvido de Temer - um desses momentos foi quando o ministro se referiu à "gente da cana, da laranja". "A cana a que eu me refiro é no sentido vegetal!", explicou.

Em seu discurso, Dilma devolveu a gentileza. Disse que o ministro foi "um gigante" na condução da elaboração do Plano Agrícola 2011/2012. "Não só ao introduzir um valor muito expressivo (o plano custará R$ 107,2 bilhões), mas também ao refazer certas diretrizes e dar ênfase às ênfases que ele deu."

Além de antigo aliado de Temer, Rossi é pai do presidente do PMDB paulista, deputado estadual Baleia Rossi.

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