Marielle Franco/Facebook
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Diante de morte de Marielle, deputados europeus pedem suspensão de negociação com Mercosul

Grupos políticos ainda fazem ato em sessão do Parlamento Europeu com cartazes para homenagear a vereadora carioca

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2018 | 14h26

GENEBRA - O partido espanhol Podemos enviou uma carta para a Comissão Europeia exigindo que bloco "condene" o assassinato da vereadora Marielle Franco e que as autoridades em Bruxelas suspendam as negociações comerciais para fechar um acordo de livre comércio entre a Europa e o Mercosul.

O pedido de suspensão das negociações ainda foi solicitado por outros grupos do Parlamento Europeu, em especial a aliança de 52 euro deputados que formam parte da Esquerda Europeia Unida. "Pedimos para a Comissão uma suspensão imediata das negociações com o Mercosul até que haja o fim da violência e intimidação contra a oposição política e defensores de direitos humanos", declararam os partidos da aliança de esquerda. 

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O grupo representa menos de 10% dos 750 membros do Parlamento Europeu. Ainda assim, na carta, os deputados do partido espanhol insistiram que a Europa deve exigir que o Brasil faça "uma investigação independente, rápida e exaustiva que permita chegar à verdade e Justiça". 

A carta foi assinada por Miguel Urbán, deputado do Podemos no Parlamento Europeu e porta-voz do grupo político. O documento foi enviado para a Alta Representante para Assuntos Exteriores da Europa, Federica Mogherini. 

Urbán também fez uma declaração, em plena reunião do Parlamento Europeu, com cartazes em homenagem à vereadora brasileira. 

"Sendo o Brasil um país sócio da UE e observando que a Comissão está negociando atualmente um acordo comercial com o Mercosul, (pedimos) que as negociações comerciais sejam suspensas de forma imediata e seja manifestado seu compromisso com a defesa dos direitos humanos", aponta o documento, obtido pelo Estado

"As atividades das pessoas comprometidas com a defesa dos direitos humanos são mais que necessárias", escreveu. O grupo cita informes que revelam que, em 2017, 312 defensores de direitos humanos foram mortos pelo mundo. Desses, 26 eram brasileiros. 

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"Assistimos, uma vez mais, o assassinato de uma ativista feminista e defensores de direitos humanos, um crime que se produz no contexto de um aumento da violência no Brasil e no Rio de Janeiro", disse Urbán. Para ele, isso é "fruto de uma crise econômica e social e das políticas de austeridade" conduzidas pelo governo de Michel Temer. 

O parlamentar ainda cita a intervenção federal no Rio e insiste que "o assassinato de Marielle Franco foi deliberado". "A sombra de uma execução planejada com o objetivo de amedrontar as vozes críticas e defensoras dos oprimidos e de influenciar em campanha eleitoral que está começando", disse.   

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O vice-presidente da Delegação do Parlamento Europeu para o Mercosul, deputado Xabier Benito, também usou a morte da vereadora para atacar o governo de Temer. Segundo ele, é a atual gestão a "responsável pelo aumento das desigualdades e da violência no País". "Também o é subsidiariamente desse assassinato", declarou o deputado, também do Podemos.

"Mostramos toda nossa solidariedade com as companheiras e familiares de Marielle, e seguiremos exigindo desde o Parlamento Europeu a defesa dos direitos humanos e o papel que desempenham essas pessoas que, como Marielle, arriscam suas vidas por essa luta", disse Benito.

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