Diário de um (quase) ex-fumante

O ?Estado? acompanhou, por 26 dias, 3 pessoas que tentam largar o vício às vésperas de a lei antifumo vigorar

Fernanda Aranda, O Estadao de S.Paulo

01 Agosto 2009 | 00h00

A contagem regressiva para a lei antifumo entrar em vigor em São Paulo parece correr mais rápido para eles. Na próxima sexta-feira, dia 7, bares, restaurantes, casas noturnas, shoppings, empresas e todo e qualquer estabelecimento público ou privado do Estado precisam banir o fumo e fumódromos para não receber multas que chegam a R$ 1.585. No entanto, a data-limite para a chegada das punições contra recintos que permitirem o tabaco é ainda mais decisiva para três moradores da capital paulista. Há pelo menos um mês, eles assumiram o compromisso de não só tentar "expulsar" o cigarro do ambiente interno do locais que frequentam, mas de suas vidas que já têm até "sabor" de nicotina. Durante os últimos 26 dias, a reportagem acompanhou diariamente a rotina de Aparecida Santucci dos Passos, de 43 anos, Alex do Nascimento, de 30, Elton Isaac dos Santos, de 40. A proposta foi retratar de perto como se dá a metamorfose de um fumante para a categoria "ex". Três batalhas pessoais diárias travadas contra o cigarro e, por vezes, foi o fumo quem cantou vitória.Apesar de nunca terem se encontrado, eles enfrentaram algozes muito parecidos. Café, stress e até aquela cervejinha do final de expediente mostraram-se como inimigos já conhecidos do paladar que pede "alcatrão, nicotina e as outras 4.700 substâncias". Em compensação, a chuva (uma surpresa do mês de julho) e muitos copos d?água foram aliados com que Cida, por exemplo, não esperava contar na luta frente ao vício. O primeiro contato com os três participantes do diário de um (quase) ex-fumante foi no dia 7 de julho, exatamente um mês antes da legislação mais restritiva ao uso do tabaco começar a multar no Estado. Desde então, os telefonemas diários serviam de aperitivo das histórias repetidas pela maioria dos 6 milhões de fumantes adultos que existem em São Paulo que tentam deixar de lado o hábito de fumar (80% já tentaram).As sanções da lei antifumo não serão aplicadas contra fumantes e, sim, aos estabelecimentos que permitirem o fumo. Aparecida, Alex e Elton dizem que não foi a lei o incentivo para eles pararem de fumar. Nas próximas linhas, explicam que o preço mais alto do tabagismo é perceber que o grande "companheiro" de anos, na verdade, é um "inimigo que persiste".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.