Diferença entre candidatos é menor que parece

A diferença de sete pontos porcentuais entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) captada pela primeira pesquisa do segundo turno parece maior do que é de fato. Com apenas dois candidatos na disputa, o que sai de um vai para o outro. Os vira-casaca contam dobrado.

Análise: José Roberto de Toledo, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2010 | 00h00

Se 4% dos votos válidos trocassem de lado, Serra empataria com Dilma, ou a petista dobraria sua vantagem - dependendo de para onde o vento sopre. Como se vê, é uma margem apertada.

Além disso, o Datafolha encontrou 7% de eleitores indecisos. Um cenário possível é que eles venham a se distribuir da mesma maneira que os eleitores de Marina Silva (PV) e dos nanicos já se distribuíram até agora, isto é, na proporção de dois para um em favor de Serra. Se isso acontecer, o tucano passaria de 41% para entre 45% e 46% do total de votos, enquanto Dilma iria de 48% para entre 50% e 51%. A diferença entre eles poderia cair de 7 pontos para, no limite mínimo, 4 pontos.

Em 2006, o porcentual de votos brancos e nulos caiu do primeiro para o segundo turno da eleição presidencial (porque eram menos cargos e a votação ficou mais fácil), mas a abstenção aumentou. A quantidade de votos válidos foi praticamente igual.

Mantido esse cenário em 2010, Dilma e Serra estariam disputando 101,6 milhões de votos (os válidos do primeiro turno). Aplicados os índices do Datafolha, a petista teria hoje 50,8 milhões de votos, e o tucano, 43,4 milhões.

A diferença entre eles, de pouco mais de 7 milhões de eleitores, equivale aos 7% de indecisos, que na urna precisarão votar em alguém. Se conquistados todos pelo tucano, o que é improvável, seriam suficientes para Serra empatar com Dilma, sem precisar cooptar nenhum eleitor dela.

A grande maioria dos eleitores que votaram em outros candidatos no primeiro turno não ficou esperando a orientação de quem quer que seja para decidir seu voto. E não deve ser isso que vai definir o destino da eleição, apesar de petistas e tucanos bajularem Marina por seu apoio formal.

Em comparação ao primeiro turno, Dilma ganhou até agora 3,1 milhões de votos, e Serra amealhou 10,2 milhões de novos eleitores. Os que trocaram Dilma por Marina na reta final do primeiro turno por motivos religiosos provavelmente já migraram para Serra e dificilmente voltarão para o colo da petista. Pelos números do Datafolha, são principalmente do sexo feminino.

A seu favor, Dilma conta com o eleitorado do Nordeste e dos municípios onde o Bolsa-Família tem mais peso. O programa funciona como uma espécie de paraquedas da petista, lhe fornecendo um piso alto nessa região.

Com dificuldades para crescer no Norte/Nordeste, resta a Serra ampliar sua vantagem no Sul e ganhar votos no Sudeste, principalmente nas maiores cidades, onde se concentra o eleitorado que votou em Marina. É lá que deve ser travada a batalha do segundo turno.

É JORNALISTA ESPECIALIZADO EM PESQUISAS

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