Digitalização dará controle sobre solução de casos

A polícia de São Paulo vai controlar o esclarecimento dos crimes de autoria desconhecida. O plano do delegado-geral é usar esse número como medida de eficiência da atividade policial. O controle será possível com a instalação do Registro Digital de Ocorrência (RDO) em todo o Estado. Além dos boletins de ocorrência e dos termos circunstanciados, o projeto prevê a digitalização dos inquéritos policiais. "Vamos dividir as ocorrências em três tipos", disse o delegado-geral, Maurício Lemos Freire. O primeiro é dos casos que podem ser comunicados de casa, em que a pessoa não precisa ir à delegacia para registrá-los, como furtos e extravio de documentos. O segundo tipo de ocorrência são aquelas com autoria conhecida ou porque a pessoa foi presa em flagrante ou porque a vítima conhecia o autor e, por fim, haverá os casos que serão registrados como de autoria desconhecida. "É como o antigo formulário azul (documento no qual eram preenchidas ocorrências até o começo dos anos 90)", disse o delegado-geral. Será em relação aos casos de autoria desconhecida que será feito o índice de esclarecimento de crimes. "Trata-se de uma ferramenta fundamental para medir a eficiência e o controle da atividade policial." O Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol) vai gastar R$ 9,5 milhões para digitalizar o registro de ocorrências em todo Estado. O prazo é integrar até o fim do ano todas as 893 unidades policiais dos 645 municípios. Hoje, 461 delegacias de 51 cidades com mais de 100 mil habitantes têm acesso ao RDO. Nelas, são feitos 60,25% dos boletins de ocorrência paulistas. De acordo com o delegado Domingos de Paulo Neto, diretor do Dipol, desde a sua criação, em 2002, o RDO foi responsável por alimentar um banco de dados que já tem 6,1 milhões de BOs e 252 mil termos circunstanciados. "São 5,4 mil BOs por dia e nós já temos estudos para digitalizar os inquéritos policiais." Além da alteração nos registros, a polícia também vai investir R$ 8,7 milhões na digitalização de rádios de comunicação e na compra de rádios portáteis até o fim do ano. "Sei que vamos enfrentar resistências, mas é necessário conscientizar os policiais sobre a importância de se compartilhar informações de forma responsável", afirmou o diretor do Dipol.

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