Dilma acompanha 'denúncias e esclarecimentos'

Planalto monta esquema de vigilância dos passos de Orlando Silva; ele fica no cargo enquanto apresentar respostas convincentes

TÂNIA MONTEIRO / , ENVIADA ESPECIAL, PRETORIA (ÁFRICA DO SUL) , JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2011 | 03h05

O ministro do Esporte, Orlando Silva, segue no cargo sob vigilância da presidente Dilma Rousseff e sua permanência no ministério dependerá do impacto dos esclarecimentos que prestar sobre a denúncia de cobrança de propina na pasta. "Enquanto isso, o governo vai continuar acompanhando tanto qualquer denúncia que apareça quanto todos os esclarecimentos e as iniciativas de investigações", disse a presidente ontem, no primeiro dia de sua missão na África.

Na ausência de Dilma, que ontem estava na África do Sul, Orlando Silva explicou-se para os ministros Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) no domingo à noite e ontem à tarde.

A própria presidente da República disse, em Pretória, que o governo está de olho nas justificativas do ministro, que deverão começar a ser feitas hoje à tarde, na Câmara dos Deputados, em reunião conjunta das Comissão de Turismo e Esporte e de Fiscalização e Controle.

Dilma contou que teve uma conversa com o ministro, ainda no sábado, por telefone, logo depois da publicação da denúncia da revista Veja, segundo a qual Orlando Silva teria montado um esquema de corrupção no Ministério do Esporte. A presidente disse que o ministro tem direito à "presunção da inocência" e que, nos contatos com ela, afirmou nada temer.

"Ao contrário de muita gente por aí, temos um princípio democrático e civilizatório. Nós presumimos inocência. E o ministro tem se manifestado com muita indignação às acusações feitas a ele", disse a presidente. "Aliás, o ministro Orlando pediu investigação da Polícia Federal, do Ministério Público Federal sobre as acusações feitas a ele e que ele reputa uma injustiça. Além disso, o ministro se dispôs a ir ao Congresso Nacional para fazer todos os esclarecimentos que os senhores deputados e senadores quiserem ter a respeito do assunto", afirmou a presidente.

ONGs. Diante da denúncia de que verbas do programa Segundo Tempo foram desviadas, a presidente admitiu que os contratos com organizações não governamentais (ONGs) têm de ser mais fiscalizados. "Tem que fazer chamada pública, apurar se a ONG existe há mais de três anos. E ela imediatamente é tirada de qualquer possibilidade de convênio se tiver incorrido em alguma falha, seja qual falha for", afirmou a presidente.

"Você tem ONGs e ONGs. Eu sempre digo que não é possível fazer tábula rasa." A presidente lembrou que, no início deste ano, o governo determinou aos ministros que dessem preferência a convênios com prefeituras e Estados e que, em setembro, foram definidas as condições para se estabelecer convênios.

Nos bastidores, o governo ainda aposta que Orlando Silva conseguirá provar que não tem envolvimento com esquemas de corrupção montados no Ministério do Esporte. Quanto à inocência do PC do B, partido do ministro, esta já sofre questionamentos, porque os convênios feitos para o programa Segundo Tempo, ainda nos tempos do ministro Agnelo Queiroz (que deixou o PC do B e foi para o PT) são tidos como "complicados". Por isso, o futuro de Orlando é incerto, visto que o PC do B tem um espaço considerado grande demais no governo. Além do Ministério do Esporte, o partido controla a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e a Embratur.

Dilma terá de rearrumar o espaço dos partidos na reforma ministerial, prevista para ocorrer em janeiro de 2012.

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