Dilma adota discurso da gestão eficiente

Candidata defende profissionalismo e Estado 'mais meritocrático', tema típico da oposição

Luciana Nunes Leal / RIO, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2010 | 00h00

Ao falar para uma plateia de empresários e investidores, durante seminário sobre infra-estrutura, a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, adotou um típico discurso da oposição, o da eficiência da gestão pública. A ex-ministra defendeu "maior profissionalismo e Estado mais meritocrático que permita um nível de gestão mais eficiente".

Uma das críticas mais contundentes dos oposicionistas é contra o que consideram inchaço e ineficiência da máquina pública no governo Lula.

Meritocracia - sistema em que funcionários são promovidos por critérios de desempenho - é um termo recorrente em discursos de tucanos, como o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves, que o PSDB gostaria de ver candidato a vice-presidente na chapa de José Serra.

Ontem, Dilma disse que a eficiência administrativa é o caminho para garantir aumento da poupança pública e, com isso, mais investimentos. A ex-ministra citou a própria experiência no governo. "É inconcebível o que encontrei quando cheguei no Ministério de Minas e Energia, que tinha um engenheiro para 20 motoristas. É inconcebível que a máquina de fiscalizar ganhe quatro vezes mais que a máquina que executa", declarou. "Para que haja poupança pública no Brasil é importante que o Estado tenha mecanismos de gestão eficiente e que os recursos sejam destinados para aquilo que interessa."

Infraestrutura. Dilma insistiu, por outro lado, na importância também do aumento da poupança e dos financiamentos privados para investimentos especialmente em infra-estrutura.

"Não podemos ficar só com o BNDES. O País não pode se contentar com uma única fonte de financiamento", afirmou a ministra no seminário organizado pelos jornais Valor Econômico e Financial Times.

Segundo Dilma, bancos privados e fundos de pensão devem ser estimulados a participar da "nova arquitetura de financiamento". "Vamos ter que mobilizar todos os recursos financeiros que nós dispomos", afirmou a pré-candidata petista. "Não se faz política de infraestrutura baseado no Orçamento da União, dos Estados e municípios. Tem que completar com financiamento de longo prazo", afirmou.

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