Pablo Valadares/AE
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Dilma apoia demissão de parentes de Erenice

Em entrevista coletiva, petista admitiu que a levou para o Ministério de [br]Minas e Energia, mas procurou negar vínculos de amizade com ex-auxiliar

João Domingos / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou ontem que é a favor da demissão de todas as pessoas que tenham sido empregadas pela ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra pelo critério de parentesco e amizade. "Não sou a favor da indicação de parentes e de amigos. Se houve, sou a favor (da demissão)", disse a ministra durante entrevista coletiva, lavando as mãos a respeito do caso Erenice.

Dilma, que na terça-feira havia negado ser a responsável pela nomeação de Erenice para a Casa Civil, admitiu que a levou para o Ministério de Minas e Energia, do qual foi titular de 2003 a 2005. Mas ela procurou negar vínculos de amizade com a ex-auxiliar.

"Não indiquei Erenice porque ela era minha amiga. Indiquei Erenice porque ela era uma pessoa que conheci na transição, uma pessoa do setor elétrico, uma advogada competente nessa área. E trouxe ela para o ministério (de Minas e Energia) a partir da transição. Ela compunha o grupo de energia da transição do presidente Lula. Ela foi uma militante histórica do PT no Distrito Federal."

Erenice Guerra foi demitida da Casa Civil no dia 16 depois de denúncias segundo as quais teria transformado a pasta numa central de tráfico de influência e de lobby por parte de Israel Guerra, seu filho.

Ela foi levada para a Casa Civil por Dilma e lá foi seu braço direito até abril, quando se tornou sua sucessora no cargo.

Apesar de buscar distância do escândalo envolvendo Erenice, Dilma pediu calma quanto ao assunto, para que a ex-ministra da Casa Civil não seja "condenada por antecipação". Ela disse que durante três meses sua campanha foi acusada de ter violado o sigilo fiscal de tucanos e, agora, segundo ela, começa a se chegar à conclusão de que "não houve nada disso".

"Fui acusada por três meses, bombardeada de tudo que é jeito. Agora, aparece uma moça que diz - e a investigação (da Polícia Federal) demonstra - que vendia (informações), para quem vendia e por quanto vendia. A relação com minha campanha inexiste. E aí eu pergunto: quem é que paga meu prejuízo por isso? Chegaram a pedir a cassação de minha candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE)."

Ato contra a mídia. Dilma afirmou ainda que o Brasil vive num processo democrático. Por isso, segundo ela, é importante que imperem as múltiplas vozes da crítica. Mas se recusou a dizer se aprova ou desaprova ato contra a mídia organizado pelo PT, PDT, PSB e centrais sindicais, no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, programado para hoje.

Ela disse que, de sua parte, sempre vai defender a liberdade de opinião, de crítica e de imprensa. "Eu prefiro a crítica do que o silêncio da ditadura." Mas afirmou achar que no momento há muito ódio sendo destilado na campanha. "Acho que o ódio é que nem droga. A pessoa entra no ódio e não sai."

Como os repórteres insistissem que dissesse se era contrária ou a favor do ato organizado por seus aliados contra o trabalho dos meios de comunicação, ela repetiu o discurso. "Sou a favor da liberdade de imprensa. Acho que vocês têm o direito de falar o que quiserem. Agora, quando eu achar que está errado, respeitando a liberdade de imprensa, como fiz recentemente, eu tenho o claro direito de falar que há um desrespeito a mim."

Argumento. Dilma prometeu que, se for eleita presidente, os jornais poderão falar mal dela o dia inteiro. "Eu, da minha parte - e essa é uma propaganda que faço de mim -, a imprensa pode falar o que bem entender. No máximo vou dizer: está errado, por isso, por isso e por isso. Usando uma coisa fundamental, que é o argumento. Eu acho que a imprensa faz o papel dela fazendo as críticas. Eu faço o meu - quando achar que é necessário - me defendendo delas."

Ainda a respeito dos meios de comunicação, e da insistência de parte do PT em fazer o controle social deles, Dilma respondeu: "Por mim, podem falar tudo o que quiserem. Porque o único controle social que eu aceito é o do controle remoto ali na mão do telespectador: plim, plim e plim. Eu sou absolutamente tolerante com vocês."

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