Dilma ataca 'demagogia' em debate sobre saúde

Enquanto presidente volta a cobrar fonte de receita para gastos no setor, PT diz querer votar emenda no dia 28, mesmo sem solução sobre verba

Marcelo Portela, O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2011 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL / JECEABA (MG)

A presidente Dilma Rousseff classificou como "demagogo" quem propõe melhorias na saúde sem indicar a fonte dos recursos para esses investimentos. Sem citar nomes, ela afirmou que "mente" para a população quem defende um avanço na área sem a injeção de verbas. Segundo a presidente, o governo tem que oferecer um serviço "de qualidade", mas, para isso, é preciso "investir muito" na área.

Apesar disso, a bancada do PT na Câmara decidiu que vai votar a regulamentação da emenda constitucional 29 mesmo sem solucionar essa questão. A votação foi marcada para dia 28. O líder do partido da presidente, deputado Paulo Teixeira (SP), diz não haver tempo para construir uma solução para ampliar os recursos para a área.

Na sua fala - ainda de manhã, em Belo Horizonte, antes de viajar para o interior do Estado - Dilma foi incisiva: "O Brasil tem um sistema de saúde universal, gratuito e tem que ser de qualidade. Nenhum país do mundo resolveu essa equação sem investir muito. Quem falar que resolve isso sem dinheiro é demagogo. Mente para o povo". E completou lembrando que "para o Brasil virar um país desenvolvido, nós temos de ter a responsabilidade de dizer a verdade para o povo". "Precisa de mais dinheiro? Eu acho que precisa para a saúde".

Ela avaliou ainda que a emenda 29, que regulamenta os gastos dos três níveis de governo no setor, não é garantia de serviço de melhor qualidade - sua aprovação apenas "mantém o atual padrão" no setor. A emenda 29 "resolve algumas coisas. Ela permite que você restrinja o que é saúde. Não vai botar mais que saneamento é saúde", declarou. Dilma evitou criticar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). "Por que é que o povo brasileiro tem essa bronca da CPMF? Porque o dinheiro não foi para a saúde. Foi para fazer outras coisas", ressaltou a presidente.

Sem tempo. Em Brasília, o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira, disse considerar importante aprovar a regulamentação da Emenda 29, mesmo que de forma isolada, porque ela vai impedir que entes federativos incluam como gastos na área de saúde ações não relacionadas ao tema: "Vamos vencer a etapa da emenda 29 e depois buscar financiamento".

A decisão foi tomada em reunião da bancada com o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência. Este voltou a dizer que a aprovação só deste projeto nada resolve.

O governo, no entanto, começou ontem a sinalizar limites ao negar a possibilidade de legalizar jogos de azar, como bingos e cassinos, para injetar dinheiro na saúde. "Da parte do governo, não há qualquer apoio a jogos", disse Ideli Salvatti, ministra de Relações Institucionais. / COLABOROU EDUARDO BRESCIANI

Solução

DILMA ROUSSEFF

PRESIDENTE DA REPÚBLICA

"O Brasil tem um sistema de saúde universal, gratuito e tem que ser de qualidade. Nenhum país resolveu essa equação sem investir muito. Quem falar que resolve sem dinheiro é demagogo"

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