Dilma ataca oposição e seus ''apoiadores na mídia''

Em reunião do PT, candidata se diz pronta para confronto com tucanos, sem citar nome de Serra: ''Jamais esperavam que em junho estaríamos empatados''

Vera Rosa e Eugênia Lopes, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2010 | 00h00

No dia em que o Diretório Nacional do PT foi chamado de "fascista" por militantes após decidir apoiar a reeleição da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), a pré-candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, defendeu uma ampla coalizão e disse que o partido sairá fortalecido da aliança com o PMDB.

Por 43 votos a favor, 30 contra e duas abstenções, a cúpula do PT enquadrou a seção maranhense do partido e obrigou o aval a Roseana, conforme antecipou o Estado. Pressionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por Dilma, o Diretório Nacional também anulou o encontro estadual petista, que em março resolvera aderir à campanha do deputado Flávio Dino (PC do B).

"Ainda estou sentindo o caminhão da Scania em cima de mim, do meu peito", afirmou Dino. Com a saída formal do PT da aliança, o comunista conta agora apenas com o PSB.

A decisão provocou protestos de sete integrantes do PT maranhense. "Hi, Hitler! Hi, Dutra!", berraram os petistas assim que o presidente do PT, José Eduardo Dutra, apareceu no saguão. "O PT se vendeu. É fascista!", protestou Maria de Lourdes da Silva, que pisou em uma estrela do partido. "Vocês vão dar um voto envergonhado!"

Dutra não respondeu. "Acho um exagero essa reação", disse ele. Em represália ao veredicto do PT, o deputado Domingos Dutra (MA) ameaça fazer greve de fome.

A imposição da aliança com Roseana ocorreu em nome do projeto nacional. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), conversou com Lula várias vezes, nos últimos meses, pedindo apoio à filha.

Dilma abriu a reunião do PT antes da votação sobre o palanque no Maranhão e seguiu depois para Tiradentes (MG), onde se reuniu com empresários. Disposta a mostrar que está pronta para o confronto, ela deu várias estocadas nos tucanos, sem citar o nome do pré-candidato do PSDB, José Serra.

Confiante na vitória, a ex-ministra afirmou que o PT ampliará sua bancada no Congresso. "Eles subestimaram a força do nosso projeto político", insistiu. "Jamais esperavam que entre o final de maio e início de junho estaríamos empatados."

O PT só vai lançar candidatos próprios aos governos de 11 Estados, já que cederá a cabeça da chapa para aliados em colégios eleitorais importantes, como Minas e Rio. "Dilma sentou na ponta e o PMDB cobrou a conta: disse que queria ter candidato em Minas, Rio e Maranhão", comentou o deputado Virgílio Guimarães (MG).

Apelo. A pré-candidata do PT apelou para que o ex-ministro do Desenvolvimento Social Patrus Ananias aceite ser vice da chapa encabeçada pelo senador Hélio Costa (PMDB) ao governo de Minas. "Eu não quero ser tratado como salvador da Pátria", devolveu Patrus.

Uma resolução política aprovada ontem pelo PT criticou a imprensa e a coligação de Serra. "Farão de tudo para levar a eleição ao segundo turno (...), estimulando a judicialização da política, usando os grandes meios de comunicação como boletins de campanha", diz o documento.

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