Ailton Cruz/AE
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Dilma aumenta contato público para driblar crise

Presidente lançou programa Brasil sem Miséria no Nordeste e aproveitou para ouvir as eivindicações dos governadores de oito Estados da região

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

26 Julho 2011 | 00h00

ENVIADA ESPECIAL / ARAPIRACA (AL)

Sem mencionar a crise política no Ministério dos Transportes, a presidente Dilma Rousseff tentou ontem imprimir uma agenda positiva no governo, ao participar de cerimônia de lançamento do programa Brasil sem Miséria, no Nordeste. O evento, que contou com a presença de oito governadores da região, se estendeu por mais de cinco horas.

Dilma, que tem sido criticada por aparecer em poucos atos públicos e por não receber políticos e empresários no Planalto com a frequência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manteve ontem uma reunião aberta com os governadores, concedeu entrevista para veículos de comunicação locais e proferiu dois discursos públicos.

Também aproveitou para antecipar detalhes de outros programas sociais, como o Brasil sem Fronteiras, que pretende conceder bolsas a 75 mil estudantes que queiram complementar os estudos em universidades do exterior. Anunciou ainda o programa Água para Todos, que se espelha no Luz para Todos, lançado por Lula.

Nos dois discursos, criticou as gestões anteriores ao governo Lula. "O Brasil retirou da condição de pobreza quase 40 milhões de pessoas, uma Argentina", disse Dilma, durante reunião com governadores, sobre os últimos oito anos. Citou números da Fundação Getúlio Vargas, segundo os quais, no período, 39,5 milhões de pessoas migraram para a classe média.

"Apesar de ter sido uma grande vitória nossa, ainda resta um Chile", completou, em referência ao país com cerca de 16 milhões de habitantes. Depois, para uma plateia de mais de 300 pessoas, disse que o Brasil "passou um tempo muito longo de costas para o povo", e que o ex-presidente Lula tornou a pauta da pobreza "prioritária".

A presidente assinou o Pacto contra a Miséria, com os governadores, e voltou a dizer que o País crescerá com "estabilidade e controle da inflação". "Nós seremos capazes de defender a economia brasileira de todas as ameaças internacionais e nacionais. Estou me referindo à ameaça da inflação que corrói a renda do trabalhador. Nós saberemos responder à altura", disse.

Investimento. A ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, afirmou que os Estados e municípios precisam se envolver nos programas de combate à pobreza para que cheguem às pessoas. Destacou que o governo passou a fazer a "busca ativa", que pretende identificar os potenciais beneficiários das ações governamentais e inclui-los na lista de atendidos.

O governo disse que pretende investir R$ 756 milhões no Água para Todos, para levar água às famílias extremamente pobres do semiárido. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social, serão construídas neste ano 367 mil cisternas - o Brasil sem Miséria prevê a construção de 750 mil até 2014.

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