Dilma autoriza PMDB a negociar cargos

Um dia depois de ignorar a pressão do PMDB e se recusar a ceder uma cadeira ao partido no seu núcleo político além da já ocupada pelo vice-presidente Michel Temer, a presidente Dilma Rousseff decidiu fazer um agrado aos peemedebistas, iniciando um processo de paz com o parceiro.

Leonencio Nossa, Denise Madueño e João Domingos, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2011 | 00h00

Por intermédio do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, Dilma autorizou o PMDB a negociar diretamente com os petistas os cargos que desejam manter nos ministérios tocados pelo PT e que eles consideram ser vitais para a máquina partidária. É o caso, por exemplo, da presidência da Funasa, que tem orçamento de R$ 5 bilhões. O PMDB luta para impedir a demissão de Faustino Lins, indicado pelo líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Em compensação, o PMDB comprometeu-se com Palocci a apoiar a candidatura de Marco Maia (PT-RS) à presidência da Câmara, além de não formalizar um bloco parlamentar com o PP, PR, PTB e PSC, que teria 202 deputados e condições de dominar os principais cargos na Casa.

Logo pela manhã, Palocci convocou para uma conversa o vice Michel Temer e o líder Henrique Eduardo Alves. Falou-lhes que ao governo não interessava a briga entre o PT e o PMDB por cargos de segundo escalão, que o desgaste político é certo e que todos sairiam perdendo. Os peemedebistas queixaram-se do avanço do PT sobre os cargos do PMDB. Palocci respondeu que eles estavam autorizados a negociar diretamente com os ministros a manutenção dos cargos dos afilhados.

À tarde, Temer foi à casa de Marco Maia anunciar o apoio do PMDB à candidatura dele à presidência da Câmara. PT e PMDB têm um acordo de rodízio no comando da Câmara. Em 2013, caberá ao partido de Temer eleger o novo presidente. O candidato é Henrique Alves.

Pente-fino. Na reunião de ontem, peemedebistas e petistas fizeram uma checagem de nome por nome da bancada peemedebista para identificar possíveis dissidentes na eleição para a Câmara no dia 1.º de fevereiro. Também montaram uma agenda de reuniões de Maia com deputados nos Estados.

As primeiras serão no Paraná e em Santa Catarina, Estados governados por partidos de oposição, PSDB e DEM, na próxima quinta-feira.

Na segunda-feira, também a pedido de Palocci, Temer havia conversado com o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele e Henrique Alves vinham verbalizando o descontentamento do PMDB. Cunha chegou a anunciar que apresentaria uma emenda à medida provisória do salário mínimo para aumentá-lo de R$ 540 para R$ 560.

Na tarde de ontem, Henrique Alves procurou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para falar da importância da Funasa para o PMDB. Os dois haviam trocado xingamentos pelo telefone por causa dessa questão. Padilha comprometeu-se a segurar a nomeação do novo presidente da Funasa e a manter as negociações.

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