Roberto Stuckert Filho/PR
Roberto Stuckert Filho/PR

Dilma cita sua luta contra a ditadura ao ser homenageada em Minas Gerais

Ao lado do tucano Anastasia, presidente afirma que quem ''sofreu na pele'' efeitos da falta de liberdade sabe dar valor à democracia

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

22 Abril 2011 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL / OURO PRETO

Em uma cerimônia que não contou com a presença do senador Aécio Neves (PSDB), o governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), condecorou ontem, em Ouro Preto (MG), a presidente Dilma Rousseff, ministros e autoridades petistas. Oradora oficial da tradicional solenidade de entrega da Medalha da Inconfidência, Dilma foi agraciada com o Grande Colar, maior comenda do Estado.

Ao presidir o evento pela primeira vez como governador eleito, Anastasia promoveu uma cerimônia mais sóbria, se comparada às verdadeiras superproduções durante a gestão Aécio. O governador tucano repetiu o gesto de seu antecessor, que em 2003 convidou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser o orador oficial da solenidade.

Porém, o contrário daquele ano, quando manifestantes protagonizaram o evento, ontem (Tiradentes), a cerimônia transcorreu em clima de tranquilidade, sem faixas ou protestos. Apenas Anastasia contou com uma pequena claque organizada.

Sindicatos, que costumam seguir em caravanas para a cidade histórica, alegaram que a desmobilização ocorreu em razão do forte aparato policial que nos últimos anos impedia manifestações na Praça Tiradentes.

Em seu discurso, Dilma evitou temas políticos, mas utilizou a data histórica para relembrar seu passado de luta contra a ditadura militar (1964-1985), quando foi presa e torturada. "Os brasileiros e brasileiras que como eu sofreram na pele os efeitos da privação da liberdade sabem o quanto a democracia institucional faz falta quando desaparece", afirmou Dilma.

Na quinta-feira passada, em uma festa do Exército, a presidente evitou falar sobre o tema ditadura, Ontem, Ela voltou a vincular a prosperidade do País à erradicação da miséria e disse que o Brasil está conquistando um novo grau de amadurecimento da consciência cívica em um ambiente de crescente liberdade". A presidente citou Tancredo Neves, morto em 1985: "Outro mineiro amado nacionalmente". E também o ex-presidente Lula para dizer que "o resgate (dos brasileiros) da pobreza equivale também a uma verdadeira emancipação política."

Mais uma vez, destacou que considera o Brasil uma das maiores democracias do mundo, ponto que vem destacando. "Queremos a democracia em sua complexa inteireza. Uma democracia feita de eleitores e também de cidadãos plenos. Nesse caminho se entrelaçam o desenvolvimento e a inclusão", disse a presidente da República.

Inconfidentes. Antes da solenidade, Dilma e Anastasia participaram do sepultamento dos restos mortais de três inconfidentes, no Panteão do Museu da Inconfidência. Foram sepultados junto a outros 13 revoltosos os restos mortais de José de Resende Costa, João Dias da Mota e Domingos Vidal de Barbosa recentemente identificadas.

Objetivo

DILMA ROUSSEFF

PRESIDENTE DA REPÚBLICA

"Queremos a democracia em sua complexa inteireza. Uma democracia feita de eleitores e também de cidadãos plenos. Nesse caminho se entrelaçam o desenvolvimento e a inclusão"

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