Dilma cobra providências urgentes da Vale e BHP

Presidente quer que empresas arquem com todos os custos de atendimento à população, além da reconstrução de casas e estradas

Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

11 Novembro 2015 | 21h23

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff cobrou, por telefone, dos presidentes das empresas controladoras da mineradora Samarco, responsável pelas duas barragens que se romperam inundando com lama a região de Mariana (MG) e chegando a atingir o Espírito Santo, providências urgentes para atendimento às famílias desabrigadas e solução dos problemas ambientais. 

Dilma quer que as empresas arquem com todos os custos de atendimento à população, inclusive os imediatos, de fornecimento de água, além da reconstrução de casas e estradas. A informação foi prestada pelo Ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, que disse ainda que tanto o presidente da Vale, Murilo Ferreira, quanto o CEO da BHP, Andrew Mackenzie, empresas controladoras da mineradora Samarco, se mostraram dispostos a atender os pedidos do governo brasileiro e arcar com todos os prejuízos.

"Na conversa que a presidente teve, ele (Andrew) colocou toda a disponibilidade da mineradora Samarco em dar as respostas, contribuir nas soluções e apresentar um plano que possa ser avaliado por todos os que foram impactados por esse desastre", declarou o ministro, ao informar o teor da conversa com os controladores. 

Segundo Occhi, a presidente Dilma listou que é de responsabilidade da mineradora todos os danos. "Nós estamos falando de impactos que também destruíram rodovias mineiras, propriedades de várias pessoas, aqueles que tinham suas plantações, sua agricultura como forma de subsistência, criação de animais na região, impacto ambiental, resposta imediata às famílias", relatou Occhi, ao citar as palavras de Dilma. "Ela cobrou a responsabilidade muito firmemente. E a mineradora admite que fará todo o esforço para no mais rápido tempo dar a resposta, principalmente, às famílias atingidas", emendou. 

Com uma semana de atraso, a presidente Dilma vai sobrevoar nesta quinta-feira, pela manhã, a região de Mariana e Governadores Valadares, em Minas, e depois a de Colatina, no Espírito Santos. O ministro Occhi informou que a presidente Dilma assinará uma portaria criando um "comitê gestor" para avaliar todo o impacto social e ambiental do desastre ocorrido com o rompimento das barragens. 

O governo federal quer ainda que as controladoras sejam obrigadas a pagar multas pelos prejuízos causados. Além das multas, serão estudadas outras sanções.

Com as cobranças, a presidente Dilma quer evitar que os custos dos problemas causados pelo rompimento das barragens recaiam sobre o governo federal. O governo se ofereceu, no entanto, para dar início a uma estratégia para suprir a população de água, que também terá de ser ressarcida pelas empresas. Não há ainda um valor estimado dos prejuízos e da necessidade de investimentos para recuperação dos locais afetados, de acordo com o ministro. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.