Dilma combate boato sobre aborto e faz reunião com igrejas

O tom da reação à queda nas pesquisas foi discutido com Lula antes das gravações feitas ontem em Brasília

Vera Rosa , Tânia Monteiro / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2010 | 00h00

O comitê de Dilma Rousseff (PT) está preocupado não apenas com o impacto do escândalo envolvendo a Casa Civil nos índices de intenção de voto da petista como com a disseminação de boatos, nas igrejas e nos templos, dando conta de que a candidata é a favor do aborto. Pouco antes de gravar, ontem, o último programa de TV de Dilma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez reunião com a cúpula da campanha para dar o tom da reação.

A queda de Dilma na pesquisa do Datafolha acendeu o sinal amarelo no comitê. Embora as sondagens internas da campanha sejam bem mais otimistas e mostrem que a candidata do PT tem grande chance de ganhar no primeiro turno, dirigentes do partido sabem que ela sofreu um revés.

Dilma vai se reunir com religiosos, em seu escritório no Lago Sul, em Brasília. Segundo Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula, padres e pastores pediram a conversa, sob o argumento de que boatos contra a petista têm sido disseminados por fiéis e ninguém sabe de onde vêm. Além da questão do aborto, circulam nas igrejas e nos templos rumores de que a candidata teria afirmado que "nem Jesus Cristo" tira dela a vitória. Dilma, porém, nunca disse esta frase.

Na conversa de ontem com Dilma, o ministro Franklin Martins (Comunicação Social) e o presidente do PT, José Eduardo Dutra, na produtora do publicitário João Santana, Lula chegou a cogitar a possibilidade de incluir em seu depoimento - gravado para o último programa de TV - um apelo para que os eleitores não se deixem levar por boatos. A manifestação acabou não sendo incluída, mas ainda pode mudar.

"Estamos muito confiantes de que vamos colher no domingo, dia da eleição, o que plantamos nesses oito anos", resumiu o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

Na prática, porém, o governo também está apreensivo com surgimento de novas denúncias envolvendo funcionários da Casa Civil e parentes de Erenice Guerra, a ex-ministra que caiu no último dia 16.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.